Santa Casa de Marília marca presença em Simpósio na Alesp e recebe certificado pelo trabalho de combate ao AVC
A Santa Casa de Marília marcou presença no Simpósio sobre Prevenção e Tratamento do AVC (Acidente Vascular Cerebral), na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), no último dia 30 de outubro e recebeu um certificado pelo trabalho de combate à doença.
O evento, articulado pelo presidente da Alesp, André do Prado e promovido em alusão ao Dia Mundial do AVC – principal causa de morte no Brasil (lembrado em 29 de outubro) -, reuniu palestrantes que abordaram temas como o financiamento público, o uso de telemedicina para ampliar o acesso a especialistas, a expansão de centros de atendimento especializado e a educação comunitária em saúde para o reconhecimento imediato dos sintomas.
A entrega do certificado reforça o esforço colaborativo entre os setores público e privado e a sociedade civil.
O superintendente da Santa Casa de Marília, Márcio Mielo, mencionou a importância de um simpósio como este realizado pela Assembleia Legislativa. “Ficamos honrados em receber este certificado e poder participar de discussões que contribuem para a melhoria do atendimento em casos de AVC. Foi uma experiência extremamente positiva da qual agradecemos a Casa Legislativa do Estado de São Paulo pela preocupação com a saúde pública”.
O evento
Na abertura, André do Prado ressaltou o papel central da Alesp na elaboração e fiscalização de políticas públicas de saúde. Ele citou a implementação da tabela de remuneração do Sistema Único de Saúde no estado – o SUS Paulista – e a destinação pelos deputados estaduais de emendas impositivas a hospitais filantrópicos. “Mais do que aprovar leis, cabe à Assembleia definir prioridades orçamentárias que garantam o financiamento estável e equitativo para a rede de atendimento, desde a atenção primária até os centros de alta complexidade que tratam emergências neurológicas, como o AVC”, sublinhou.
Na sequência, a Irmã Rosane Ghedin, da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes de São Paulo (Fehosp), ressaltou a atuação da rede filantrópica, responsável por mais da metade dos atendimentos de média e alta complexidade no estado. Ela afirmou que, ao substituir as subvenções, a tabela paulista trouxe previsibilidade financeira e permitiu melhorias na oferta de serviços, como o aumento de cirurgias eletivas. Segundo ela, a transparência nos valores pagos aos prestadores de serviços representou um avanço. “Sustentar o SUS é investir em quem cuida, quem gere e quem precisa”, destacou.
Coordenador da Rede Nacional de Pesquisa em AVC, o neurologista Octávio Pontes afirmou que 90% dos casos da doença podem ser prevenidos por meio do controle de fatores de risco, como pressão alta, sedentarismo e colesterol alto. Ele declarou que o acesso rápido a hospitais com tomografia é crucial nas emergências. “O desafio é o acesso, colocar o paciente no lugar certo, na hora certa. Isso tem que ser previsto no sistema de regulação de urgência”, disse, ao defender a ampliação de centros especializados com equipes multidisciplinares. Ele propôs educação comunitária para reconhecer os sintomas.
A neurologista Elizabete Liso, representante da Secretaria Estadual de Saúde (SES/SP), defendeu o uso da telemedicina para facilitar o acesso a especialistas em áreas remotas, onde a escassez de neurologistas preocupa a gestão. Ela anunciou que a pasta trabalha para fortalecer a saúde digital com a implementação de hubs de atendimento. A médica apontou como desafios a avaliação da infraestrutura regional, a formação de neurologistas e a articulação entre SAMU, UPAs e centros de reabilitação para otimizar altas e encaminhamentos de pacientes com AVC.
Já o vice-presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (COSEMS/SP), Danilo Oliveira, disse ser necessário superar a fragmentação da atenção básica e elogiou a regionalização do sistema de saúde paulista, que permite pactuar referências regionais. Ele usou o tratamento do AVC como exemplo emblemático da importância de integrar a rede: “quanto mais integração tivermos, menor fragmentação” na resposta aos desafios de saúde. Oliveira defendeu o fortalecimento das linhas de cuidado, consideradas fundamentais para que os pacientes conheçam seu itinerário terapêutico.
Última a palestrar, a enfermeira Gislane Fazzolari, que é assessora da Secretaria Municipal da Saúde da Cidade de São Paulo, enfatizou a necessidade de desburocratizar o acesso ao tratamento do AVC, tendo em vista que o tempo é crucial para evitar sequelas graves ou a morte. Na capital paulista, a Rede de Atenção às Urgências (RAS), oferece triagem e estabilização de pacientes com suspeita de AVC. Além do tratamento imediato, complementa Fazzolari, a reabilitação multidisciplinar é vital, considerando que a faixa etária dos pacientes afetados pelo AVC está se tornando cada vez mais jovem.






















