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WWF expõe lacuna de R$ 65 bilhões no financiamento da floresta amazônica

O relatório mais recente do WWF revelou um enorme déficit no financiamento para a proteção da floresta amazônica no Brasil – um dos ecossistemas mais importantes da Terra

  • O WWF pede que as instituições financeiras do Reino Unido e do Brasil sejam mais rigorosos sobre a quem emprestam dinheiro, para evitar o financiamento da destruição da floresta
  • As florestas abrigam 80% da biodiversidade terrestre e estão enfrentando ameaças crescentes, incluindo incêndios e desmatamento


Com a COP30 em andamento no Brasil, uma nova análise do WWF revela que são urgentemente necessários R$65 bilhões para manter a vital floresta amazônica em pé. A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e está prestes a atingir um ponto de não retorno irreversível, agravando a crise climática.

Embora a lacuna de financiamento possa parecer grande, ela é insignificante se comparada aos estimados R$ 1,64 trilhão — calculados pelo Banco Mundial — em prejuízos econômicos que o Brasil enfrentará caso a Amazônia entre em colapso.

Estudo do WWF “Fechando o déficit bilionário no financiamento para a floresta Amazônica” – publicado nesta sexta-feira (14) — conduziu uma análise aprofundada dos fluxos financeiros no Brasil e na Indonésia para entender para onde o dinheiro está indo atualmente e como redirecioná-lo.

Concluiu-se que o financiamento destrutivo – como empréstimos e subsídios para a agricultura em áreas desmatadas — supera largamente os positivos, em quase oito vezes no Brasil. O financiamento positivo, que protege as florestas, veio principalmente do governo brasileiro. Os fluxos atuais representam apenas 5% do que é necessário.

O relatório apela a medidas urgentes para travar os fluxos prejudiciais, introduzindo medidas mais rigorosas, critérios para empréstimos e subsídios, e redirecionamento do financiamento para práticas sustentáveis, além do cumprimento das leis ambientais.

Outra solução fundamental é o investimento no Tropical Forest Forever Facility (TFFF) – Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que recentemente arrecadou US$ 5 bilhões em doações. No entanto, o governo do Reino Unido anunciou recentemente que não contribuirá.

Kate Findlay, conselheira-chefe para florestas do WWF-Reino Unido, disse:

“As florestas estão na vanguarda da crise climática e a Amazônia está à beira da crise climática, pontos de inflexão irreversíveis”.

“Este relatório revela um rombo multibilionário no financiamento florestal que devemos preencher urgentemente para evitar mais destruição. Preencher esta lacuna significa cortar danos aos fluxos de financiamento, como empréstimos e subsídios, e reaproveitá-los para sempre”.

“Investir agora é muito mais barato do que lidar com as consequências. O custo da inação será sentido não apenas no Brasil, mas terá um efeito cascata em todo o mundo.”

Pesquisas recentes do WWF e da Global Witness revelaram que os britânicos apoiam esmagadoramente o compromisso do governo britânico de travar e reverter a desflorestação até 2030, com 76% de apoio. E quase dois terços dos britânicos (65%) apoiaram a implementação de um fundo do tipo TFFF.

Fabrício de Campos – Líder de Finanças Verdes do WWF Brasil

“Historicamente, o Brasil escolheu financiar e subsidiar o agronegócio como estratégia para um desenvolvimento setorial. Graças a isso, o setor se tornou um dos mais importantes da nossa economia. Agora, este mesmo setor é ameaçado por seu sucesso – o desmatamento causado pela abertura de áreas para a agricultura e pecuária está levando ao agravamento da crise climática, que compromete severamente o desempenho do próprio agronegócio”.

“Alocar recursos públicos e privados para a conservação da floresta Amazônica não é despesa, é um investimento mais que necessário para a manutenção dos serviços ecossistêmicos de que nossa economia depende”.

“O Brasil possui a tecnologia para fazer uma agropecuária em sinergia com a floresta, métodos comprovados de integração produtiva e ecológica com os ecossistemas. Precisamos dar um importante passo para incentivar a adoção destas tecnologias pelo produtor, através de financiamentos mais inteligentes e responsáveis”.


Nota aos editores

  • R$65 bilhões, é a diferença entre o atual financiamento benéfico e quanto o WWF estima o que é necessário para manter o Posição da Amazônia brasileira.
  • O Banco Mundial estima que perder a Amazônia geraria 317 mil milhões de dólares (£ 237 bilhões) em danos econômicos no Brasil.
  • Os fluxos financeiros que afetam negativamente as florestas são aproximadamente oito vezes maiores que os positivos na Amazônia brasileira, e 14 vezes maiores na Indonésia.
  • No Brasil, os fluxos negativos são principalmente na forma de empréstimos e subsídios para agricultura e pecuária. Na Indonésia, os fluxos negativos provêm, principalmente, de empréstimos para óleo de palma, celulose e papel.
  • Finanças públicas, do governo interno e do Desenvolvimento Externo Assistência (ODA), é a espinha dorsal do financiamento positivo para florestas no Brasil e Indonésia atualmente. A despesa pública interna é superior à APD no Brasil, embora a APD seja maior do que as despesas governamentais internas na Indonésia.
  • Os fluxos financeiros privados positivos desempenham um papel significativo no Brasil, por meio de instrumentos como empréstimos agrícolas verdes, mercados de carbono, títulos verdes, compensações de biodiversidade, certificações florestais sustentáveis e filantropia.
  • A lacuna entre o que é necessário para as florestas e o que elas recebem, atualmente, é US$12,4 bilhões no Brasil e US$5,1 bilhões na Indonésia. Esta é uma estimativa de o que é necessário para cumprir os planos do governo sobre conservação, fiscalização, PICLs, restauração e uso sustentável.
  • O estudo completo pode ser acessado em: https://www.wwf.org.uk/articles/forest-finance

FONTE: WWF BRASIL

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