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Fantasias de carnaval…

No calendário, o mês de fevereiro todo festivo pede passagem e anuncia a presença do carnaval. No calçadão central, a loja de departamentos em que a jovem Carolina trabalhava, se mostrava toda decorada com adereços carnavalescos. Na seção de roupas, nem os manequins escaparam das incontáveis fantasias.    

Uma semana antes do carnaval, todas as funcionárias (os) estavam autorizados a trabalharem com roupas alusivas à tradicional festa carnavalesca. Carolina diante das opções, aderiu à uma fantasia de cigana pós-moderna, vestindo uma saia estampada, blusa decotada, colares, brincos e um adorno de flores na cabeça.

Na segunda-feira, véspera do carnaval, um bloco de rua acompanhado de uma banda e seus instrumentos de percussão adentraram ao calçadão, cantarolando a marchinha “Cigana”, que dizia em seu refrão – Um dia uma cigana leu a minha mão. Falou que o meu coração daria muitas voltas até encontrar você. Foi só você me olhar que eu me apaixonei…  

Algumas pessoas em frente às lojas apenas olhavam, enquanto outras mais animadas, passaram a seguir o bloco carnavalesco. Ao passarem em frente à loja em que Carolina trabalhava, um rapaz moreno, risonho, com um cabelo estilo Black Power, exclamou – Vem brincar com a gente ciganinha! No que Carolina respondeu – Não posso! Estou trabalhando! O rapaz insistiu – O trabalho pode esperar, mas o carnaval são só três dias.  

Na terça-feira de carnaval, Carolina acordou ouvindo a marchinha “Chuva, Suor e Cerveja”, que dizia em seu refrão – Não se perca de mim. Não se esqueça de mim. Não desapareça… Curiosa, Carolina saiu na janela do apartamento e deparou-se com um bloco carnavalesco descendo à rua. Olhando atentamente para os componentes do bloco, percebeu que não eram estranhos.

Para sua surpresa, o mesmo rapaz que à tinha abordado no dia anterior na porta da loja, olhou para cima e ao avistá-la na janela exclamou – Hoje não têm trabalho! Hoje não têm desculpas! Vêm brincar com a gente ciganinha! Toda eufórica diante de um reiterado convite, Carolina não pensou duas vezes – Você me convenceu! Vou colocar a fantasia de cigana e descer. Não vou me demorar!

Saindo do bloco todo eufórico e fogoso, veio em sua direção com olhar de quem tinha sido arrebatado por uma paixão de carnaval – Qual é o seu nome ciganinha? Carol! E o seu? Caio! Olha só, respondeu o rapaz todo animado – Até no nome a gente se combina! E de improviso, cantarolou – Vêm comigo Carolina! Minha bela ciganinha!   

A jovem Carolina abriu um sorriso e saíram de mãos dadas em direção ao bloco carnavalesco, que desapareceu na quebrada da esquina, cantarolando a marchinha “Balancê”, que dizia em seu refrão – Ô balancê, balancê. Quero brincar com você… Partindo em busca da felicidade, lá se foi Carolina, sem previsão, à que horas voltaria daquela terça-feira de carnaval.  

Diante das letras das marchinhas de carnaval, que costumam rotular o amor de carnaval como apenas nuvens passageiras, uma incógnita – Carol retornaria sozinha ou com Caio?  Mas sem precisar consultar o tarô, surgem os dois, com ares de apaixonados, abraçadinhos e felizes, envoltos em confetes e serpentinas.

Se o romance perdurará, ou se restará apenas recordações, nem mesmo os “deuses do carnaval” conseguem prever. De certo mesmo, para separá-los na quarta-feira de cinzas, apenas a fantasia de cigana. Só o tempo poderá dizer se à máscara, um dos principais símbolo do carnaval, vai dar lugar à realidade do dia a dia…    

Carlos R. Ticiano       

Articulista e romancista           

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