OMS diz que conflito no Oriente Médio piora sistemas de saúde na região
Ataque à estrutura de cuidados aumentam assim como riscos à saúde pública; mais de 9 mil pessoas foram feridas no Irã; 2.142 em Israel e 1,4 mil no Líbano; fechamento de espaço aéreo impediu entrega de ajuda humanitária de centro logístico, em Dubai, para 25 países incluindo Moçambique.
Após quase duas semanas da escalada do conflito no Oriente Médio, os sistemas de saúde da região começam a mostrar sinais de intensa pressão. O alerta é da Organização Mundial da Saúde, OMS.
O aumento do número de feridos e deslocados pela violência, a continuidade dos ataques a serviços de saúde estão elevando os riscos à saúde pública.
Dezenas de postos de saúde afetados
Somente no Irã, as autoridades locais relataram mais de 1,3 mil mortes e 9 mil feridos. Israel tem 2.142 feridos e 15 mortes. Já o Líbano, que enfrentava um conflito antes da escalada da violência, registrou 570 mortes e mais de 1,4 mil feridos.
A agência da ONU lembra que os próprios serviços destinados a salvar vidas estão sendo afetados pelos ataques no Irã e no Líbano, onde dezenas de postos de saúde foram atingidos causando dezenas de mortes.
A OMS ressalta que os agentes de saúde, pacientes e instalações de socorro não podem seer alvos de guerra e devem ser protegidos pelo direito internacional humanitário.

© WFP/Khadija Dia
Famílias deslocadas pelo conflito no Líbano refugiam-se numa escola pública em Beirute.
Riscos de infecção e doenças respiratórias
Outra preocupação da OMS é que o conflito está criando riscos mais amplos para a saúde pública. Pelo menos 100 mil pessoas no Irã fugiram de suas casas para outras áreas do país devido à insegurança, e até 700 mil pessoas foram deslocadas internamente no Líbano.
Muitos libaneses se abrigaram em instalações coletivas superlotadas, sob risco de contrair doenças devido acesso limitado à água potável, saneamento e higiene. Essas condições aumentam o risco de infecções respiratórias, doenças diarreicas e outras infecções especialmente para as populações mais vulneráveis, como mulheres e crianças.
A agência da ONU também ressalta riscos para a saúde provocados por incêndios de petróleo e a fumaça de infraestruturas danificadas no Irã, que expuseram comunidades próximas a poluentes tóxicos que podem causar problemas respiratórios, irritação nos olhos e na pele, além de contaminação da água e dos alimentos.
Ajuda a Moçambique foi impactada
Em Gaza, as evacuações médicas permanecem suspensas desde 28 de fevereiro, enquanto os hospitais continuam operando sob pressão em meio à escassez contínua de medicamentos, suprimentos médicos e combustível, que está sendo racionado para priorizar serviços essenciais de saúde, como atendimento de emergência e trauma, serviços materno-infantis e tratamento de doenças transmissíveis.
Por causa do fechamento do espaço aéreo, a OMS não pode despachar suprimentos médicos do seu Centro Logístico Global, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Mais de 50 pedidos de suprimentos de emergência, destinados a beneficiar mais de 1,5 milhão de pessoas em 25 países, foram afetados, resultando em atrasos significativos. O primeiro carregamento, contendo suprimentos para o combate à cólera em Moçambique, deve partir do centro na próxima semana.
A OMS apela a todas as partes para que protejam os civis e os cuidados de saúde, garantam um acesso humanitário desimpedido e sustentado e procurem a desescalada do conflito para que as comunidades possam começar a recuperar e a caminhar rumo à paz.
FONTE: ONU NEWS






















