Goleador do São Paulo, França destaca vinda para Marília e fala da alegria de rever a torcida paulista
Escolhido para a categoria principal do São Paulo pelo próprio
Telê Santana, França conta como conheceu Alceu e relembra
grandes momentos da sua trajetória profissional
por Ramon Barbosa Franco
Françoaldo Sena de Souza havia jogado apenas 45 minutos no segundo jogo do São Paulo na Copinha de 1996. Marcou 3 dos 6 gols que o Santos sofreu e garantiu a vitória ao Tricolor. Dario Pereira, que semanas antes o havia escolhido para integrar o elenco de base, tinha duas opções para colocar no segundo tempo deste clássico: Roni — que viraria ídolo do Fluminense — e um jovem de 19 anos que, com um carrinho, fez um golaço para o XV de Jaú na final da segunda divisão do campeonato paulista de 1995, contra o Mogi Mirim. O gol colocou o XV na primeira divisão e abriu o caminho para Françoaldo Sena de Souza virar França.
“Ainda no vestiário, uma pessoa tocou o meu ombro e virou para o Dario, o grande Dario Pereira, dizendo: ‘Dario, este loirinho vai subir comigo agora, não vai jogar mais na base’”, relembrou o craque que, no próximo dia 5 de abril, às 17h, entrará em campo pela primeira vez no Abreuzão, em Marília, para o Encontro de Craques, o jogo do Ronaldinho Gaúcho. Este homem que tocou no seu ombro e o tirou do Dario era nada mais, nada menos que Telê Santana: ex-técnico da Seleção Brasileira nas Copas de 1982 e 1986, bicampeão da Taça Libertadores e bicampeão mundial interclubes em 1992-1993. Ali, Telê dava a oportunidade para o talento de um menino que começou a jogar bola em Manaus, no time Nacional.
Durante uma semana, Telê treinou o seu escolhido. França lembrou que o treino começava às 9h, mas Telê já chegava no CT às 7h30. Dias depois, o técnico sofreria um AVC, o que o afastou dos gramados. Seu auxiliar técnico, Muricy Ramalho, seguiu o faro do mestre: o loirinho realmente não desceu mais para a base, seguiu no elenco principal. Aos 50 anos, completados no começo do mês, França pratica o futevôlei e participa de partidas solidárias e festivas, como a do dia 5 em Marília.
“Quando dos 80 anos da tragédia de Hiroshima, organizaram o jogo no Japão ‘Time do França’ contra o ‘Time do Zico’. Assim como o Zico, também sou muito querido no Japão. Pena que o Zico não entrou em campo neste jogo, mas treinou a equipe dele. O Ronaldinho Gaúcho participou desta partida”, contou. A partida aconteceu em outubro do ano passado e foi no Japão, no Kashiwa Reysol, que França conheceu o craque do MAC e do Palmeiras, Alceu — organizador do jogo do Ronaldinho em Marília. “Estou muito feliz em poder estar com a torcida paulista novamente e esta será a primeira vez que entro no Abreuzão, aí em Marília. Já joguei em Matão, mas Marília será a primeira vez”, disse.
Depois de seis anos no São Paulo — com destaque para a final onde, ao lado de Raí, garantiu a vitória no Paulistão de 1998 contra o Corinthians — França foi vendido para o futebol alemão e, mais tarde, jogou no Japão. Com Ronaldinho, França vestiu a camisa da Seleção Brasileira nas Eliminatórias de 2001 e 2002; por pouco não esteve no elenco do penta. Uma distensão de seis centímetros o impediu de embarcar para a Copa da Ásia. Em seu lugar, Luiz Felipe Scolari convocou o jogador Luizão.
“A energia deste jogo em Marília será muito boa, as famílias e os torcedores vão ver grandes jogadores em campo, com a mesma técnica, com a mesma habilidade! Aguardo todos vocês no dia 5 de abril!”, salientou o atleta, que parabenizou Marília, que está prestes a completar 97 anos de história.






















