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Alesp concede Prêmio Inezita Barroso a 18 artistas e personalidades do universo caipira

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo condecorou, nesta sexta-feira (13), 18 artistas, grupos e projetos culturais do universo caipira na 9ª edição do Prêmio Inezita Barroso. A premiação, voltada à preservação da música de raiz e da cultura popular, foi conduzida pela presidenta da Comissão de Educação e Cultura da Alesp, deputada Professora Bebel (PT), e contou com a participação especial do cantor e compositor Moacyr Franco.

Ao definir Inezita como uma “mulher à frente de seu tempo”, Bebel ressaltou a convicção da artista de que a cultura popular deve ser respeitada e valorizada. A parlamentar também associou o legado da cantora ao combate à violência contra as mulheres. “A cultura tem um papel fundamental de dar o entretenimento, mas também de formar opiniões. A cultura é resistência”, afirmou a deputada.

Parlamentares destacaram o protagonismo feminino no universo caipira, além da riqueza e da diversidade da música de raiz. “A voz da nossa música é a voz das mulheres”, disse Carlos Giannazi (Psol). A deputada Marina Helou (Rede) definiu a arte caipira como um elo de conexão entre as gerações nas famílias paulistas.

A deputada Letícia Aguiar (PL) apontou a viola como símbolo das tradições do interior. “A viola é a voz do campo, é memória, é legado”, definiu a parlamentar. E o deputado Paulo Fiorilo (PT) elogiou a persistência histórica dos defensores da tradição sertaneja.

Pluralidade cultural

A 9ª edição do Prêmio Inezita Barroso evidenciou a pluralidade da cultura caipira em diferentes regiões do estado de São Paulo. A premiação reconheceu o impacto de iniciativas coletivas como a Orquestra de Cordas Caipira, de Jaboticabal, e o Projeto Canta Viola, focado no ensino gratuito de música e na inclusão social em Presidente Prudente.

No campo da pesquisa e preservação, o jornalista Cecílio Elias Netto foi condecorado pelo “Dicionário do Dialeto Caipiracicabano”. Já Alício e Durval (os Irmãos Binatti) receberam a honraria da Alesp por seu trabalho como fabricantes artesanais de violas.

No campo musical, a lista de intérpretes e instrumentistas premiados reuniu veteranos da música de raiz, como Tião da Viola e a dupla Tôny Sampaios e Maurinho, além de talentos da nova geração, como Pedro Violeiro. A relação entre música e dança também se refletiu na trajetória de Sidney Todor, referência na catira.

Indicada pela sociedade civil, a apresentadora Adriana Farias – atual comandante do programa Viola, Minha Viola, da TV Cultura, criado pela própria Inezita Barroso – reverenciou a bravura da mulher caipira personificada pela patrona da honraria da Alesp e exaltou o papel social da cultura caipira.

“Nossa música sertaneja está ligada ao povo brasileiro. Ninguém conta melhor essa história do que as modas de viola”, afirmou a artista.

Os artistas Lauana Prado, Ditinho Joana e a dupla Divino e Donizeti também foram laureados, mas justificaram ausência na cerimônia.

Homenagem póstuma

A cerimônia do Prêmio Inezita Barroso, realizada pela Alesp, também prestou homenagem póstuma ao ex-deputado Marcos Martins (1946-2025), idealizador da honraria, com a presença da viúva Sueli Barca e de dois dos três filhos do casal.

Sueli relacionou a criação do Prêmio Inezita Barroso ao histórico de embates políticos travados pelo ex-parlamentar, que exerceu três mandatos na Alesp (2006, 2010 e 2014). Segundo ela, diante dos constantes debates sobre demandas urgentes de Saúde e Educação, Martins percebeu que a Casa precisava de “uma situação que trouxesse alegria”.

“Esse Prêmio representa essa alegria, a defesa da cultura, mas também [o propósito de] ouvir os nossos artistas populares”, declarou Sueli, emocionada.

FONTE: ALESP

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