GeralMundo

Inundações no leste do Afeganistão deixam rastro de destruição e agravam crise humanitária, alerta ONU

As recentes e intensas inundações que atingiram o leste do Afeganistão provocaram cenários arrasadores, impondo severas dificuldades a comunidades já extremamente fragilizadas, revelou as Nações Unidas nesta terça-feira.

Conforme detalhamento do Escritório da ONU para Assistência Humanitária (Ocha), os impactos mais graves foram sentidos em Parun, na província oriental de Nuristan. Grandes estragos também abalaram Torkham, em Nangarhar, e o distrito de Alingar, em Laghman.

Casas, vias públicas, redes de irrigação e meios de subsistência foram severamente atingidos. Avaliações preliminares indicam que pelo menos 22 residências foram totalmente destruídas e cerca de 45 sofreram danos graves na região de Parun. O comércio local também foi duramente afetado, com avarias em cinco mercados, aproximadamente 70 lojas, duas marcenarias e diversos veículos.

Danos na infraestrutura básica comprometeram o tráfego em quatro pontes e seis trechos rodoviários, além de muros de proteção, canais de irrigação e cerca de 10 hectares de terras agrícolas destruídos. A interrupção no sistema de abastecimento de água deixou aproximadamente mil famílias sem acesso à água potável. Instalações comunitárias, como uma clínica privada e uma mesquita, também foram atingidas.

Para a ONU, este desastre natural agrava o já delicado panorama socioeconômico afegão. A vice-representante especial do secretário-geral, Georgette Gagnon, alertou para a fragilidade dos esforços de estabilização econômica diante do brusco aumento populacional. Desde 2023, quase 5,9 milhões de pessoas retornaram ao Afeganistão vindas de países vizinhos, um acréscimo superior a 10% na população total. A expectativa é de que até 2,8 milhões de afegãos retornem ao longo deste ano, a maioria sem recursos financeiros e com poucas perspectivas de trabalho.

Famílias em reintegração enfrentam um contexto no qual a economia nacional e as comunidades locais não têm capacidade plena para absorvê-las, resultando no empobrecimento progressivo da população. Diante dessa realidade, também constatada pelo Banco Mundial, o secretário-geral das Nações Unidas reforça o apelo para que todos os países envolvidos no retorno de cidadãos afegãos respeitem as obrigações internacionais de proteção.

O Afeganistão permanece como uma das maiores crises humanitárias do planeta. Cerca de 21,9 milhões de pessoas — aproximadamente 45% da população — necessitam de assistência humanitária urgente em 2026. A ONU aponta que a combinação de eventos climáticos extremos e o enorme fluxo de retornados exige uma resposta coordenada e sustentada da comunidade internacional para mitigar o sofrimento das famílias mais vulneráveis.

FONTE: ONU NEWS

IMAGEM: © Unicef 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *