Morre Hiroshi Okuda, ex-presidente da Toyota que expandiu a montadora e impulsionou o Prius
Executivo comandou a empresa durante um período de forte crescimento internacional e antecipou o lançamento do primeiro híbrido produzido em massa
Hiroshi Okuda, ex-presidente e ex-presidente do conselho de administração da Toyota, morreu no sábado (8), aos 93 anos, em decorrência da idade avançada. A informação foi divulgada pela imprensa japonesa nesta quarta-feira (12).
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Okuda foi o primeiro executivo de fora da família fundadora a assumir a presidência da Toyota em 28 anos. Sua gestão ficou marcada pela expansão da produção internacional, pela recuperação das vendas no Japão e pela decisão de acelerar o desenvolvimento do Prius.
De acordo com o Nikkei, Okuda ajudou a construir as bases que transformaram a Toyota em uma das maiores fabricantes de veículos do mundo.
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De funcionário da contabilidade à presidência
Nascido em 1932, na cidade de Tsu, província de Mie, Okuda formou-se na Universidade Hitotsubashi e entrou na Toyota Motor Sales, atual Toyota Motor Corporation, em 1955.
Ele passou boa parte da carreira nos setores financeiro e internacional. Também trabalhou nas Filipinas, onde ganhou reconhecimento dentro da empresa ao participar de negociações para recuperar valores devidos à Toyota.
Okuda tornou-se diretor em 1982 e assumiu a presidência da montadora em agosto de 1995. A Toyota o registra como o oitavo presidente da empresa e, posteriormente, como o sétimo presidente do conselho de administração.
Expansão internacional da Toyota
Quando Okuda chegou à presidência, a montadora enfrentava a valorização do iene, a redução das exportações japonesas e a perda de participação no mercado interno. A resposta foi acelerar a produção nos próprios mercados consumidores, reduzindo a dependência de veículos exportados do Japão.
Em janeiro de 1996, Okuda apresentou aos funcionários a “Visão Toyota 2005”, que tinha como tema o “crescimento harmonioso” e estabelecia as diretrizes de longo prazo da empresa. O plano previa maior presença internacional, redução de custos e mudanças na estrutura administrativa, conforme o acervo histórico da Toyota.
Durante aproximadamente uma década, as vendas da Toyota no exterior mais que dobraram, enquanto as vendas globais cresceram 67%, segundo a Reuters.
A estratégia também alcançou o Brasil. Em agosto de 1998, durante a presidência de Okuda, a Toyota começou a fabricar o Corolla na unidade de Indaiatuba, no interior de São Paulo. A fábrica iniciou as atividades com capacidade para produzir 15 mil veículos por ano, de acordo com a Toyota.
Decisão colocou o Prius à frente das concorrentes
Um dos principais legados de Okuda foi sua atuação no desenvolvimento do Prius. O projeto já estava em andamento quando ele assumiu a presidência, mas ainda enfrentava dificuldades técnicas e não tinha um cronograma definitivo para chegar às concessionárias.
Okuda determinou que o lançamento fosse antecipado em um ano e ocorresse ainda em 1997. Assim, a decisão obrigou engenheiros e responsáveis pela produção a acelerar simultaneamente o desenvolvimento, os testes e a preparação das linhas de montagem.
O relato histórico publicado pela Toyota Gazoo informa que a equipe considerava o prazo extremamente difícil. Para Okuda, porém, chegar primeiro ao mercado era essencial, já que outras montadoras também desenvolviam tecnologias semelhantes.
A montadora apresentou o Prius em outubro e começou a produzi-lo em dezembro de 1997. Tornou-se o primeiro automóvel híbrido fabricado em massa no mundo e colocou a Toyota na liderança de uma tecnologia que ganharia importância crescente nas décadas seguintes.
Em um registro sobre o nascimento do modelo, a própria Toyota afirma que a chegada de Okuda à presidência representou um ponto de virada para o projeto. O primeiro Prius entregava o dobro da eficiência de combustível de um veículo convencional equivalente.
Gestão mais rápida e agressiva
Okuda também procurou mudar a imagem de uma empresa conhecida por tomar decisões com extrema cautela. Além de acelerar investimentos internacionais, promoveu um sistema interno de incentivo a novos negócios e adotou medidas para recuperar a participação da Toyota no mercado japonês.
A postura mais dinâmica ajudou a conduzir a montadora por um período de forte crescimento. Okuda deixou a presidência em 1999, quando passou a comandar o conselho de administração, cargo que ocupou até 2006.
FONTE: ALTERNATIVA ON LINE



























