Carimbo de placenta contagia equipe e se torna lembrança do parto na Gota de Leite
O que começou de forma eventual conquistou toda a equipe e ganhou novas cores, traços e significados na Maternidade Gota de Leite de Marília. Nos últimos dois meses, o carimbo artesanal da placenta ganhou força, foi incorporado por todos os plantões e hoje é produzido em quase 100% dos partos em que as condições permitem. Um presente para as mamães que materializa a lembrança do parto.
Segundo a enfermeira obstétrica Aline Alves Sabatini, a ampliação ocorreu à medida que a equipe percebeu o interesse das gestantes pela recordação. A prática, que já existia na maternidade, passou a envolver toda a equipe de enfermagem e ganhou também o toque pessoal das profissionais que a produzem.
Cada uma desenvolve sua maneira de criar. Canetas, cores, desenhos, mensagens e acabamentos ajudam a transformar a impressão da placenta em uma peça única. Mas a personalização vai além do estilo de quem produz: as profissionais procuram conhecer também as preferências da mãe.
A cor preferida da parturiente e até as tonalidades escolhidas para o quarto do bebê podem servir de inspiração. Assim, cada trabalho é pensado para aquela família, aumentando a identificação da mãe com a lembrança que levará para casa.
Uma lembrança concreta do nascimento
A placenta é um órgão temporário formado no útero durante a gestação e essencial ao desenvolvimento do bebê. Atua na transferência de nutrientes e oxigênio, na produção de hormônios e na eliminação de resíduos. Depois de cumprir sua função e ser expelida após o nascimento, ela ainda pode deixar sua marca no papel antes do descarte.
Para produzir o carimbo, a placenta é higienizada, recebe tinta e é cuidadosamente impressa sobre um papel especial. Depois de seca, a arte ganha acabamento artesanal, com cola colorida, enfeites, mensagens afetuosas e informações importantes daquele nascimento, como nome da criança, data, horário, peso e identificação da maternidade.
O resultado é uma espécie de materialização da lembrança do parto: além das informações daquele nascimento, a mãe leva consigo a impressão da placenta que sustentou o bebê durante a gestação.
Aline explica que o significado dessa recordação ganha ainda mais dimensão diante da intensidade que envolve o nascimento. Segundo ela, embora seja um momento de felicidade, a parturiente pode estar tensa, preocupada e recebendo muitas informações ao mesmo tempo. O carimbo permite que, depois, ela retome parte dessa experiência por meio de uma lembrança concreta e afetiva.
E o envolvimento não acontece apenas de um lado. A enfermeira obstétrica ressaltou que o trabalho se tornou tão prazeroso para as pacientes que recebem a lembrança quanto para a equipe que a produz. “É uma maneira singela, mas significativa, de marcar um momento do qual as profissionais também participaram”, afirmou.
Algumas mães preservam a arte como recordação e chegam a enquadrá-la, transformando o carimbo em uma peça que acompanha a história da criança.
Humanização nos detalhes
Apesar de hoje estar presente em grande parte dos nascimentos, nem todo parto permite a realização do carimbo. A assistência e a segurança da mãe e do bebê são prioritárias, e a produção da lembrança depende das condições de cada caso.
Quando é possível realizá-la, porém, a iniciativa se soma às diferentes formas de humanização desenvolvidas no cotidiano da Gota de Leite.
Para a presidente da Associação Feminina de Marília – Maternidade Gota de Leite, Virgínia Balloni, são ações que ajudam a aproximar a assistência hospitalar de uma experiência de acolhimento.
“Nosso objetivo é sempre a qualidade hospitalar, mas sem que as parturientes se sintam em um hospital. Esse tipo de ação agrega valor ao nosso eixo de humanização”, destaca.
De uma prática eventual, o carimbo da placenta encontrou espaço na rotina da maternidade.































