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Apenas 4,3% dos trabalhadores no Japão querem fazer mais horas extras, mostra pesquisa

Segundo a Universidade de Tóquio, a intenção de aumentar a jornada se concentra entre pessoas com baixa renda e empregos temporários

Apenas 4,3% dos trabalhadores no Japão desejam fazer mais horas extras, segundo uma pesquisa do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Tóquio divulgada neste domingo (23) pela agência Kyodo.

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O levantamento mostra que a intenção de trabalhar mais se concentra principalmente entre pessoas com baixa renda e trabalhadores temporários. A proporção também é maior entre as mulheres.

De acordo com os dados divulgados pela Universidade de Tóquio, 3% dos homens e 6% das mulheres disseram em 2026 que gostariam de aumentar o tempo de trabalho.

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Mais da metade prefere manter a jornada atual: 53% dos homens e 63% das mulheres. Além disso, outros 44% dos homens e 32% das mulheres responderam que gostariam de trabalhar menos.

Os resultados praticamente não mudaram em relação a 2024, quando 2% dos homens e 6% das mulheres manifestaram o desejo de ampliar a jornada.

Diferença entre empregos fixos e temporários

Entre os trabalhadores regulares, somente 2% dos homens e 1% das mulheres disseram querer trabalhar mais. Os pesquisadores avaliam que, como a maioria trabalha em período integral, há pouco interesse em ampliar ainda mais a jornada.

A situação muda entre os trabalhadores temporários. Nesse grupo, 13% dos homens e 12% das mulheres gostariam de aumentar o número de horas trabalhadas.

Além disso, a diferença também aparece quando os entrevistados são separados pela renda. Entre os que recebem menos de ¥750 mil por ano, 18% dos homens e 17% das mulheres querem trabalhar mais.

Entre aqueles com renda anual de pelo menos ¥2,5 milhões, a proporção cai para 2% entre os homens e apenas 1% entre as mulheres.

De acordo com a equipe responsável, os números indicam que o desejo de ampliar a jornada está mais relacionado à necessidade de aumentar a renda do que a uma preferência generalizada por trabalhar durante mais tempo.

Mulheres conseguiram ampliar mais a jornada

A pesquisa acompanha as mesmas pessoas ao longo dos anos, o que permitiu verificar o que aconteceu com aqueles que afirmaram em 2024 que gostariam de trabalhar mais.

Até 2026, 25,8% dos homens desse grupo haviam efetivamente aumentado a jornada. Entre as mulheres, a proporção chegou a 63%.

O acréscimo médio mensal foi de 5,1 horas para os homens e 19,4 horas para as mulheres, de acordo com a pesquisa.

Uma das principais razões foi a mudança de emprego. Entre as mulheres que tinham trabalho não regular em 2024 e desejavam ampliar a jornada, 27,7% conseguiram passar para um emprego regular até 2026.

A taxa é mais de três vezes superior à verificada entre todas as mulheres que estavam em empregos não regulares. Dentre elas, 8,6% passaram para uma vaga regular no mesmo período.

O professor associado Kenji Ishida, especialista em sociologia e integrante da equipe, disse à Kyodo que as pessoas que desejam aumentar a jornada representam apenas uma pequena parcela dos trabalhadores. Para ele, criar condições que facilitem o acesso a empregos regulares e estáveis pode ser mais desejável para a maioria.

Governo estuda flexibilização

Os resultados surgem em meio às discussões conduzidas pelo governo da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre uma possível flexibilização das regras de jornada diante da falta de mão de obra no país.

Entre os pontos em análise estão a revisão do alcance do sistema de trabalho discricionário e mudanças no regime de jornada variável.

No sistema discricionário, utilizado em determinadas atividades profissionais, empresa e trabalhador estabelecem previamente um número de horas considerado como trabalhado, independentemente do tempo efetivamente gasto na execução das tarefas.

As diretrizes econômicas do governo para 2026 preveem que as possíveis mudanças sejam discutidas pelo Conselho de Política Trabalhista. O governo afirma que uma eventual revisão deverá considerar a saúde dos trabalhadores, a prevenção de jornadas excessivas, a remuneração adequada e medidas contra abusos.

A pesquisa da Universidade de Tóquio indica uma diferença entre o perfil de quem deseja trabalhar mais — principalmente pessoas de baixa renda e trabalhadores não regulares — e o público alcançado pela flexibilização das regras atualmente em discussão.

O levantamento nacional sobre mudanças nas formas de trabalhar e no estilo de vida ocorre desde 2007 e acompanha os mesmos participantes ao longo do tempo. A rodada utilizada nesta análise foi conduzida entre janeiro e março de 2026.

FONTE: ALTERNATIVA ON LINE

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