ONU pede fim de ataques a navios e alerta para alta de preços e risco de fome global
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu nesta segunda-feira o fim dos ataques a embarcações comerciais e a retomada da liberdade de navegação no Mar Negro, no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz. Conflitos envolvendo Estados Unidos e Irã, no Oriente Médio, e Rússia e Ucrânia, no leste europeu, estão obstruindo rotas marítimas cruciais para o abastecimento mundial de energia e alimentos.
Guterres afirmou que essas crises estão “obstruindo as artérias do comércio global” e pressionando severamente o sistema alimentar mundial. No Oriente Médio, ataques contínuos restringem o fluxo de energia, fertilizantes e outras mercadorias essenciais. No Mar Negro, a guerra decorrente da invasão da Ucrânia ameaça rotas vitais para a exportação de petróleo, grãos e produtos agrícolas.
O líder da ONU ressaltou que “pontos de estrangulamento marítimo jamais devem se tornar instrumentos de coerção” e que o abastecimento mundial de alimentos não pode virar dano colateral de conflitos.
Preços mais altos e agravamento da fome
Segundo Guterres, a obstrução das rotas já se reflete em preços mais altos, agravamento da fome, colheitas mais fracas e maiores dificuldades para as populações mais vulneráveis. No Estreito de Ormuz, o trânsito de embarcações praticamente paralisou. Os preços do petróleo permanecem cerca de 33% mais altos desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã. Custos de fertilizantes e insumos essenciais seguem em alta, e as tarifas globais de transporte de contêineres estão 84% maiores do que há um ano.
Força-Tarefa da ONU
Em março, Guterres criou uma Força-Tarefa para desenvolver mecanismos práticos voltados às necessidades humanitárias no Estreito de Ormuz. Liderada pelo diretor executivo do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (Unops), a iniciativa reúne a ONU Comércio e Desenvolvimento (Unctad), a Organização Marítima Internacional (OMI) e a Câmara de Comércio Internacional.
O objetivo é criar um mecanismo com prazo definido, focado inicialmente em fertilizantes e matérias-primas relacionadas, com potencial de expansão para outros produtos. A proposta não autorizaria a passagem pelo estreito nem interferiria nas decisões soberanas de cada país, servindo para reduzir riscos, apoiar um trânsito mais ordenado e reconstruir a confiança para a diplomacia.
Guterres apelou para que todas as partes se envolvam de forma séria e construtiva na operacionalização do mecanismo. Ele destacou que a iniciativa não substitui a restauração plena dos direitos de navegação nem as soluções políticas necessárias para encerrar os conflitos.
Fonte: Notícias ONU (ONU News).
Imagem: UN Photo/Mark Garten































