Toyota pode perder bilhões com valorização do iene
Valorização do iene pressiona montadoras japonesas e pode reduzir o valor dos lucros obtidos nos mercados internacionais.
A recente valorização do iene está aumentando a pressão sobre os lucros das principais montadoras japonesas, especialmente empresas como a Toyota Motor, que possuem grande parte de suas vendas no exterior.
Na terça-feira (8), a moeda japonesa era negociada pouco acima de ¥153 por dólar, seu nível mais forte em mais de seis meses. A valorização coloca o câmbio em patamar diferente daquele usado por várias fabricantes japonesas para calcular suas previsões de resultados.
Para empresas exportadoras, um iene mais forte pode reduzir o valor, quando convertido para a moeda japonesa, do dinheiro obtido com vendas nos Estados Unidos, Europa e outros mercados.
Toyota pode perder ¥50 bilhões a cada ¥1 de valorização
Entre as grandes montadoras, a Toyota trabalha com uma das premissas cambiais mais favoráveis a um iene fraco. A empresa utiliza como referência ¥160 por dólar em suas projeções.
Em agosto, a maior fabricante de automóveis do mundo informou que seu lucro operacional anual diminui aproximadamente ¥50 bilhões para cada ¥1 de valorização do iene em relação ao dólar.
Isso significa que oscilações relativamente pequenas no mercado cambial podem provocar impactos de dezenas ou centenas de bilhões de ienes sobre as projeções financeiras da companhia.
Atualmente, o câmbio está mais valorizado do que as premissas utilizadas por praticamente todas as grandes montadoras japonesas. A exceção é a Nissan Motor, que trabalha com uma cotação de ¥150 por dólar para o ano fiscal que termina em março de 2027.
Produção no exterior ajuda a reduzir impacto
A Toyota e a Suzuki Motor elevaram suas projeções para o dólar em agosto em comparação com as estimativas divulgadas em maio. Tradicionalmente, as fabricantes japonesas adotam premissas cambiais conservadoras, estratégia que pode ajudá-las a atingir ou superar suas previsões quando o câmbio se movimenta favoravelmente.
Ao mesmo tempo, muitas montadoras produzem veículos e componentes perto dos próprios mercados consumidores. Essa estrutura funciona como uma espécie de proteção natural contra oscilações cambiais, porque parte das receitas e das despesas ocorre na mesma moeda.
A Toyota também possui receitas distribuídas por diversos países e atividades, incluindo serviços financeiros, o que oferece maior capacidade para absorver movimentos desfavoráveis do câmbio.
Iene fraco ajudava exportadoras japonesas
Embora a desvalorização do iene tenha elevado o custo das importações e contribuído para pressões inflacionárias no Japão, a moeda mais fraca vinha favorecendo grandes exportadoras japonesas.
Para o setor automobilístico, esse efeito ajudava a compensar outros desafios, incluindo tarifas dos Estados Unidos, aumento dos preços do petróleo e dificuldades nas cadeias de fornecimento.
No fim de junho, o iene chegou ao seu nível mais baixo desde 1986. A mudança recente de direção mostra como a volatilidade cambial continua sendo um dos principais fatores de incerteza para empresas japonesas com forte presença internacional.
FONTE: PORTAL MIE































