Com aumento das chuvas, Governo de SP alerta para o descarte correto de lixo nos municípios paulistas
Resíduos deixados em vias públicas podem ser levados pela água para bueiros, córregos e rios, contribuindo para entupimentos, alagamentos e poluição dos cursos d’água
Com o aumento dos volumes de chuva registrados nos últimos dias no estado de São Paulo, o Governo paulista reforça o alerta para a importância do descarte correto de resíduos. Além de contribuir para a conservação dos municípios, colocar o lixo na rua somente nos dias e horários previstos pela coleta de cada município ajuda a evitar que materiais sejam carregados pela água da chuva para bueiros, córregos e rios.
Nos primeiros dez dias de setembro, os volumes de precipitação nas áreas de contribuição dos sistemas produtores que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) já superaram a média climatológica prevista para todo o mês. As chuvas contribuem para a recuperação dos mananciais, mas também aumentam a possibilidade de que resíduos descartados irregularmente nas ruas sejam arrastados para a rede de drenagem e, posteriormente, para os corpos d’água.
Por isso, a orientação é que os moradores consultem o cronograma de coleta de resíduos de sua prefeitura e coloquem os sacos para fora de casa o mais próximo possível do horário previsto para a passagem do caminhão. A recomendação vale para todos os municípios do Estado, que possuem cronogramas e regras próprios de coleta.
Quando o lixo é colocado nas ruas com muita antecedência ou descartado em locais inadequados, uma chuva forte pode carregar embalagens, garrafas, sacolas e outros materiais para os bueiros. O acúmulo desses resíduos pode obstruir o sistema de drenagem, dificultar o escoamento da água e contribuir para alagamentos. Parte desse material também pode seguir pela rede de drenagem até córregos e rios, aumentando a poluição dos cursos d’água.
Lixômetro no Rio Pinheiros
O impacto desse descarte pode ser acompanhado no Lixômetro, painel instalado no Parque Bruno Covas, próximo à Casa Conectada, na capital paulista. O equipamento apresenta ao público que circula no local os dados da coleta de resíduos realizada no rio e o custo da operação de limpeza. Em sua última atualização, de 11 de agosto, o Lixômetro registrou o volume consolidado de 149,7 mil toneladas de resíduos coletados desde 2023.
Considerando apenas o volume coletado nos primeiros oito meses de 2026, essa quantia já é quase 10% mais alta do que a registrada no mesmo período do ano passado, passando de 28.667,53 para 30.836,83 toneladas. Desde o início das ações, em 2023, o Governo de São Paulo já destinou R$ 231,2 milhões para a limpeza do lixo flutuante do Rio Pinheiros.
O trabalho acompanha os dois canais que formam o rio: o superior, com 15 quilômetros, entre a Usina de Pedreira e a Usina São Paulo (antiga Usina de Traição); e o inferior, com 10 quilômetros, entre a Usina São Paulo e o encontro com o Rio Tietê, na Estrutura de Retiro, próxima à Rodovia Castello Branco. Em junho, os trabalhos ganharam reforços e passaram a contar com três novas embarcações, ampliando a capacidade de remoção de resíduos, com potencial para retirar até 900 toneladas adicionais por mês. Com isso, o volume coletado no rio poderá crescer até 20%, fortalecendo as ações de recuperação do canal.
Com o aumento da frota, o trabalho passou de oito para 11 embarcações atuando diariamente. No total, a estrutura será composta por cinco conjuntos formados por embarcação e retroescavadeira embarcada, responsáveis pela retirada dos resíduos acumulados nas barreiras flutuantes, além de seis barcos menores que atuam diretamente na coleta do lixo em toda a extensão do manancial.
“A população já sabe que o descarte correto começa na rua de casa. Por isso, é tão importante evitar jogar lixo em vias públicas, bueiros, córregos e margens de rios, principalmente em períodos de chuva. Uma atitude simples ajuda a reduzir a poluição dos rios, preservar a fauna e evitar problemas no sistema de drenagem das cidades”, alertou a secretária da Semil, Natália Resende.
A chamada poluição difusa é resultado tanto do descarte irregular direto nos corpos d’água quanto da chuva, que transporta a sujeira deixada nas ruas de diferentes pontos da bacia até o rio. Bairros como Jaguaré, Itaim Bibi, Morumbi, Guarapiranga, Vila Olímpia, Panamby e Capão Redondo estão entre as áreas de onde podem vir parte desses detritos. Além de prejudicar a qualidade ambiental do rio, o lixo também pode afetar a fauna que vive em seu entorno, como capivaras e diferentes espécies de aves.
O trabalho de retirada dos resíduos é realizado pela SP Águas, Agência de Águas do Estado de São Paulo. Entre os materiais mais encontrados estão garrafas PET, embalagens de isopor, como marmitas descartáveis, e brinquedos, como bolas e bonecas.
Também são recolhidos objetos de grande porte, como sofás e colchões, que comprometem a qualidade ambiental do afluente.
“A SP Águas atua diariamente na remoção do lixo superficial do Rio Pinheiros, evitando que esses resíduos permaneçam no corpo d’água e contribuam para a degradação ambiental. Mas essa operação é parte da resposta ao problema. A prevenção começa antes, com o descarte correto dos resíduos e a colaboração da população, especialmente em períodos de chuva, quando o material deixado nas ruas pode ser levado rapidamente para os rios”, conclui Nelson Lima, diretor da SP Águas.































