Gilmar Mendes critica exposição de Gonet no caso Master e chama Mendonça de ‘pixuleco eleitoral’
Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou nesta quinta-feira (17) a exposição do nome do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no âmbito das investigações do caso Master.
Em publicação no perfil verificado na rede social X, o ministro afirmou que Gonet “tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita”, mas teve “a honra injustamente manchada” pela menção em um relatório da Operação Compliance Zero.
Operação apura corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master.
André Mendonça, antigo relator do caso no Supremo, rebateu o decano por meio de nota divulgada pela assessoria da Corte, afirmando que a indignação de Gilmar Mendes se manifesta “de forma seletiva”.
Na nota, Mendonça lembrou que a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) proíbe magistrados de manifestar opinião sobre processo pendente de julgamento, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas.
Mendonça também negou “complacência com vazamentos” e afirmou que o levantamento do sigilo do caso Master não partiu de sua relatoria.
Pelo contrário, escreveu o ministro, a publicidade irrestrita da integralidade da investigação sempre foi pleiteada por quem hoje se diz indignado com a exposição de Gonet.
Na sequência, Mendonça defendeu a aprovação de um código de ética no STF, para disciplinar a postura esperada do magistrado dentro e fora da Corte.
Também lembrou o decano que o próprio Mendonça reconheceu a lisura do PGR em sessão do STF na terça-feira (15) e disse não haver nada contra ele nas investigações.
“Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável”, afirmou Gilmar Mendes.
Na mesma publicação, o decano classificou o relator como “boneco de campanha, um pixuleco eleitoral”, citando um vídeo publicado por Mendonça para agradecer apoio popular.
A exposição veio depois de Mendonça, então relator do caso, levantar em 1º de setembro o sigilo de um relatório parcial da Compliance Zero.
Documento indica que Vorcaro enviou 52 mensagens ao ministro Alexandre de Moraes; em uma delas, o ex-banqueiro pergunta se “não podemos reverter isso com Paulo e Andrei”.
Para os delegados da operação, a mensagem refere-se a Paulo Gonet e a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal (PF).
Gonet também aparece em conversas de Vorcaro com o advogado Ciro Soares.
Conselho Superior do Ministério Público Federal marcou para o próximo dia 25 uma reunião para debater se as menções ao nome do PGR comprometem sua imparcialidade na condução do caso Master.
As informações são da Agência Brasil (EBC).
IMAGEM: CRIADA PELO SITE POR I.A.































