Café fica mais caro e Japão busca alternativas sem usar os grãos
Alta dos preços e mudanças climáticas estimulam empresas japonesas a desenvolver bebidas que reproduzem características do café sem usar os grãos tradicionais.
O aumento dos preços do café e as preocupações com os efeitos das mudanças climáticas sobre a produção estão impulsionando, no Japão, o desenvolvimento de bebidas que tentam reproduzir o sabor do café sem utilizar os tradicionais grãos.
O Japão ocupa a quarta posição mundial em consumo de grãos de café. Entretanto, segundo a Associação Japonesa do Café, o aumento das temperaturas e a redução das chuvas podem fazer com que, até 2050, a área global adequada ao cultivo das principais variedades de café arábica caia pela metade.
Ao mesmo tempo, a demanda continua crescendo. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicam que o consumo mundial de café aumentou cerca de 1 milhão de toneladas na última década. No Japão, uma pesquisa com 4 mil pessoas entre 12 e 79 anos apontou consumo médio de 10 xícaras por pessoa por semana.
Café feito com arroz integral
Uma das alternativas já disponíveis é o chamado “descafeinado de arroz integral”, produzido pela empresa MNH, de Tóquio. A bebida é feita com arroz integral cultivado no Japão e lentamente torrado, adquirindo aroma e amargor semelhantes aos do café.
O produto utiliza diferentes variedades de arroz, como Tsuyahime e Akita Komachi, que proporcionam diferenças de acidez, corpo e aroma. Segundo Naohiro Ozawa, presidente da MNH, a proposta é contribuir para enfrentar questões ambientais relacionadas ao café e, ao mesmo tempo, valorizar o arroz japonês.
O movimento ganha importância porque o Japão depende de importações para praticamente todo o café que consome. Grandes fabricantes de bebidas também começaram a desenvolver produtos que dispensam os grãos tradicionais.
Grandes fabricantes entram na busca por alternativas
A Asahi Soft Drinks planeja lançar em 2027 duas bebidas, chamadas Mirai no Latte e Mirai no Black. Elas utilizam outros tipos de grãos considerados menos suscetíveis aos efeitos das mudanças climáticas e procuram reproduzir características do café, incluindo o amargor proporcionado pela cafeína.
A Coca-Cola Japan, por sua vez, lançou em 21 de setembro o Cafe Water, da marca Georgia. A bebida combina mais de 10 tipos de aromatizantes para criar o aroma do café e utiliza fibra alimentar derivada do milho para dar mais corpo. O produto tem cerca de um terço da cafeína encontrada em um café preto convencional.
A proposta é atender também consumidores que apreciam o aroma do café, mas não gostam tanto de seu amargor. Segundo a empresa, nos últimos anos aumentou a procura por cafés engarrafados que possam ser consumidos de maneira leve, semelhante à água.
Problema também chega aos sucos
As mudanças climáticas estão afetando ainda outras bebidas. Nas principais regiões produtoras de laranja, incluindo o Brasil, secas e doenças provocaram sucessivas quebras de safra. Com a redução da produção, os preços de importação do suco de laranja mais do que triplicaram desde aproximadamente 2022.
Em março, a Kagome lançou no Japão o Kagome Beyond, bebida desenvolvida para reproduzir o sabor do suco de laranja sem utilizar a fruta. A base inclui cenoura amarela da Nova Zelândia, além de manga, abacaxi e limão. A própria fabricante afirma que o produto surgiu diante da escassez mundial e da alta dos preços do suco de laranja. A empresa também prepara uma alternativa ao suco de grapefruit, com lançamento previsto para outubro.
FONTE: PORTAL MIE































