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Autoescolas do Japão apostam em estrangeiros para evitar fechamento

A queda da natalidade e o desinteresse dos jovens pela habilitação ameaçam autoescolas tradicionais, que buscam novas oportunidades para sobreviver.

O número de autoescolas no Japão está diminuindo devido à queda da natalidade e ao desinteresse dos jovens em obter a carteira de motorista.

Enquanto estabelecimentos tradicionais encerram suas atividades, outros procuram sobreviver oferecendo serviços voltados a estrangeiros e motoristas idosos.

Segundo dados da Agência Nacional de Polícia, o país tinha 1.450 autoescolas em 2005, mas pelo menos 173 estabelecimentos fecharam até 2025.

A redução acompanha mudanças no comportamento das novas gerações, especialmente nas grandes cidades, onde o transporte público facilita a vida de quem não dirige.

Um exemplo é a Otaru Chuo Driving School, localizada em Hokkaido, que encerrará suas atividades em 10 de novembro, após 62 anos de funcionamento.

A instituição informou que a diminuição de alunos, a falta de instrutores e as dificuldades financeiras tornaram inviável a continuidade das operações. Suas atividades serão integradas às da Hokkaido Chuo Driving School.

Em entrevistas realizadas em Shibuya, Tóquio, jovens afirmaram que não consideram a carteira de motorista necessária para a vida cotidiana.

A facilidade de deslocamento por trem e a possibilidade de utilizar o cartão My Number como documento de identificação estão entre os motivos mencionados. O número de habilitados com até 24 anos caiu aproximadamente 360 mil em cinco anos, até 2025.

Estrangeiros representam nova oportunidade para autoescolas

Na cidade de Ichihara (Chiba), a SBS Driving School Anesaki encontrou uma alternativa para enfrentar a redução de alunos japoneses.

Após ser adquirida por uma grande empresa de logística em 2019, a escola modernizou suas instalações, substituiu os veículos de treinamento e ampliou os cursos intensivos com hospedagem.

Em 2025, foi inaugurada uma nova estrutura de alojamento para os participantes. Atualmente, metade dos alunos desses cursos é formada por estrangeiros residentes no Japão.

Entre eles está um filipino que busca a habilitação para trabalhar e utiliza vídeos na internet para estudar para as provas.

A instituição também passou a atuar na formação de profissionais para o setor de transportes.

Em julho de 2026, iniciou um serviço que conecta estrangeiros recém-habilitados a oportunidades de trabalho como motoristas, contribuindo para enfrentar a escassez de mão de obra na logística japonesa.

Cursos para idosos também ajudam a manter as atividades

Outra fonte de demanda são os cursos obrigatórios para motoristas com 70 anos ou mais que precisam renovar a carteira de habilitação. Na SBS Driving School Anesaki, mais de 5 mil idosos participam dessas atividades anualmente.

Com o aumento da procura e as dificuldades para conseguir agendamento, a escola contratou três instrutores adicionais dedicados a esse atendimento.

As aulas incluem orientações sobre direção segura e questões relacionadas à devolução voluntária da carteira de motorista.

Para os responsáveis pela instituição, as autoescolas precisam ampliar suas funções e atender diferentes públicos, deixando de depender exclusivamente dos jovens que procuram a primeira habilitação.

A adaptação às mudanças demográficas e às necessidades do mercado de trabalho pode ser decisiva para a continuidade desses estabelecimentos no Japão.

FONTE: PORTAL MIE

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