Crise no Haiti se torna cada vez mais complexa e urgente, diz OIM
Diretora-geral da agência da ONU para migrações retorna de visita ao país e descreve condições deploráveis dos deslocados pela violência de gangues; com acesso restrito à capital do país, ajuda humanitária é limitada; abrigos não contam com serviços adequados de higiene e proteção.
A diretora-geral da Organização Internacional para Migrações, OIM, afirmou nesta quarta-feira que a crise de violência no Haiti não tem recebido atenção nem recursos suficientes.
Após visitar o país, Amy Pope destacou que esta é uma das crises mais “complexas e urgentes do mundo”, com implicações para a estabilidade regional e global.
Situação deplorável para os deslocados
Ela revelou que é extremamente difícil chegar às pessoas necessitadas, pois as gangues controlam 85% do território da capital, Porto Príncipe, o que faz com que seja “impossível” entrar e sair de forma segura pelas estradas.
A chefe da OIM explicou que trabalhadores humanitários e diplomatas precisam chegar de helicóptero, o que nem sempre é viável.
Após ter visitado locais de acolhimento de deslocados, Amy Pope afirmou que a situação piorou nos últimos meses, com milhares de pessoas amontoadas, com pouco acesso a banheiros ou outros recursos de higiene.
Muitas crianças estão nesses abrigos, sem acesso à educação e sofrendo com insegurança alimentar. Também não existem estruturas adequadas de proteção para mulheres e meninas.
Como a violência de gangues se move constantemente para novas áreas da cidade, muitas pessoas tiveram que fugir várias vezes. Atualmente mais de um milhão de haitianos estão deslocados, três vezes mais do que há apenas um ano.

OIM/Antoine Lemonnier
A diretora-geral da Organização Internacional para Migrações, Amy Pope, encontra-se com pessoas deslocadas em Porto Príncipe, Haiti
Deportação de haitianos
Amy Pope destacou o agravamento da emergência humanitária no Haiti e pediu à comunidade internacional que intensifique o apoio às comunidades desalojadas pela violência e instabilidade.
Ela afirmou que o que acontece no “Haiti não vai ficar no Haiti” e que é preciso criar mais “estabilidade, segurança e esperança” para a população. A chefe da OIM afirmou que muitos querem sair do país, mas ao mesmo tempo muitas nações estão enviando haitianos de volta.
A agência relatou que quase 200 mil haitianos foram deportados de países vizinhos no ano passado, aumentando a pressão sobre os sistemas locais já sobrecarregados.
Desafios para a Missão Multinacional de Apoio à Segurança
A OIM pede apoio da comunidade internacional para garantir paz e segurança no país caribenho. De acordo com ela, A Missão Multinacional de Apoio à Segurança no Haiti, MSS, que foi aprovada pelo Conselho de Segurança, ainda não tem capacidade de lidar com a onda de violência.
Dos 2,5 mil agentes de segurança que deveriam atuar no combate aos grupos criminosos, apenas mil chegaram ao país.
Estima-se que mais de meio milhão de armas estejam em circulação no Haiti, o que reforça o poder de fogo das gangues.
FONTE:ONU NEWS