Convivência com estrangeiros e aumento de preços: os desafios do próximo primeiro-ministro do Japão
Os eleitores esperam que o novo líder não se prenda apenas a interesses partidários, mas assuma o compromisso de melhorar o país
Com a renúncia do primeiro-ministro Shigeru Ishiba, líder do Partido Liberal Democrata (PLD), os inúmeros desafios do país — como medidas de prevenção a desastres, enfrentamento da alta dos preços e a convivência com estrangeiros — passam a ser responsabilidade do próximo chefe de governo. Segundo o jornal Sankei, eleitores exigem que o vácuo político após as eleições para a Câmara Alta do Parlamento seja rapidamente preenchido, com ações eficazes e ágeis.
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Inflação
A alta dos preços é um dos desafios. Em julho, o índice nacional de preços ao consumidor (excluindo alimentos frescos) subiu 3,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior, completando oito meses seguidos acima de 3%.
Apesar da liberação de estoques de arroz para conter a inflação, os preços seguem elevados. Hisako Matsumoto, 42 anos, dona de casa em Setagaya, Tóquio, mãe de dois filhos, disse: “Precisamos de alguém que pense em políticas de longo prazo, e não apenas medidas emergenciais. O futuro das crianças está em jogo.”
Estrangeiros
Já a questão da convivência com estrangeiros, tema em evidência nas eleições parlamentares, também gera preocupação. Em Kawaguchi, Saitama, uma funcionária de uma instituição de assistência social de 72 anos relatou que presencia frequentemente grupos de estrangeiros causando incômodo em frente a lojas de conveniência pela manhã: “Não sou contra a ideia de uma sociedade multicultural, mas há situações que nos deixam inseguros. O governo precisa encarar a realidade e lidar com o problema de frente.”
Infraestrutura e desastres
Em Arakawa, Tóquio, bairro com ruas estreitas e muitas casas antigas de madeira, estima-se que até 2 mil construções poderiam ser destruídas em caso de incêndios provocados por um grande terremoto na região metropolitana. Katsumi Ogawa, 83 anos, morador local, desabafou: “As ruas são estreitas e não sei se conseguiria escapar em uma emergência.”
Um dos principais projetos de Ishiba, a criação da Agência Nacional de Prevenção a Desastres, foi adiado e caberá ao próximo governo. Ogawa espera que a futura agência dê voz às preocupações das comunidades locais, como a necessidade de alargar ruas para melhorar as rotas de evacuação.
Compromisso de melhorar o país
Mesmo após a derrota expressiva do PLD nas eleições para a Câmara Alta, Ishiba permaneceu por cerca de um mês e meio no cargo. Para muitos, a renúncia deveria ter ocorrido imediatamente após o fracasso eleitoral, já que eleições refletem de forma direta a vontade popular.
Apesar disso, a expectativa em torno de projetos como a Agência de Prevenção a Desastres e a revitalização regional fez crescer a pressão pela sua permanência. Porém, ao optar por priorizar a unidade interna do partido, a decisão de deixar o cargo deixou parte da população insatisfeita.
Atualmente, a coalizão governista enfrenta a condição de minoria nas duas casas do Parlamento. Por isso, a implementação de políticas dependerá da construção de pontes com a oposição. Eleitores esperam que o próximo líder não se prenda apenas a interesses partidários, mas assuma o compromisso de trabalhar em conjunto para melhorar o país.
FONTE: ALTERNATIVA ON LINE

























