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Tomate vira “item de luxo” no Japão: por que seu preço aumentou tanto nos últimos meses?

A escalada tem provocado impacto direto em restaurantes e nos lares, enquanto especialistas apontam que a normalização ainda deve demorar

O tomate, presença constante na mesa das famílias japonesas, vive atualmente um forte aumento de preços e já começa a ser visto como um verdadeiro “item de luxo”. A escalada nos valores tem provocado impacto direto em restaurantes e no orçamento doméstico, enquanto especialistas apontam que a normalização ainda deve demorar, segundo uma reportagem exibida pela emissora TBS na quinta-feira (11).

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Em um restaurante italiano localizado em Tóquio, o tomate é o ingrediente principal de praticamente todos os pratos. Há suco, massas fartas no ingrediente e receitas que fazem do produto o grande diferencial da casa.

No entanto, o aumento expressivo no preço do produto tem tirado o sono do proprietário do estabelecimento.

Segundo Amobi Atanesius, gerente do restaurante TOMATO×TOMATO DE LUCE, cada unidade de tomate custava anteriormente entre 100 e 120 ienes, mas atualmente o valor gira em torno de 400 ienes, o que tornou a situação financeira bastante delicada.

Apesar de o prato ser vendido no almoço por 1.210 ienes (com impostos), o custo apenas com os tomates utilizados chega a 1.200 ienes, praticamente consumindo todo o valor cobrado do cliente.

Para equilibrar as contas, o restaurante tenta compensar as perdas com outros itens do cardápio, mas o gerente admite que o lucro vem diminuindo e que um reajuste de preços pode ocorrer a partir de janeiro, dependendo da evolução do mercado.

De acordo com o Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca, o preço do tomate atingiu 1.394 ienes por quilo, o equivalente a 1,64 vez a média histórica. O fenômeno já vem sendo chamado de “crise do tomate”.

O impacto também é sentido pelos consumidores. Em uma quitanda em Tóquio, conhecida por preços acessíveis, dois tomates estão sendo vendidos por 378 ienes, valor acima do normal.

Clientes relatam dificuldade para manter o consumo. Uma aposentada na faixa dos 70 anos afirmou que, vivendo de pensão, o aumento pesa no bolso. Já uma consumidora na casa dos 40 anos contou que desistiu de comprar tomate e optou por levar alface como alternativa.

Para Hironori Ueki, presidente da Yaoya Ueki Shoten, a situação é inédita em cerca de 50 anos de atuação no setor. Ele explica que, além dos danos causados pelas altas temperaturas no verão, as chuvas intensas atrasaram o plantio, comprometendo a produção.

O principal fator por trás da escassez está em Kumamoto, maior produtor de tomate do Japão. Em agosto, pouco antes do início do período mais importante de cultivo, a região foi atingida por chuvas recordes, que alagaram áreas agrícolas e destruíram mudas prontas para o plantio. Como consequência, o volume de tomates destinados ao mercado a partir do outono diminuiu significativamente.

Segundo Ueki, não há indícios de queda nos preços ainda em 2025. Como o plantio foi atrasado, a recuperação da produção e o retorno a uma colheita considerada normal só devem ocorrer a partir de meados de janeiro.

FONTE: ALTERNATIVA ON LINE

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