Hotspot de Sociobiodiversidade: o que é e por que a Região dos Abrolhos recebe esse título?
São reconhecidas como Hotspot de Sociobiodiversidade regiões que abrigam grande variedade de espécies marinhas e também ameaçadas pela ação humana. A Região dos Abrolhos, que vai do Extremo Sul da Bahia ao Norte do Espírito Santo, é considerada o hotspot dos hotspots marinhos do Brasil! Um estudo recente, liderado por pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Universidade de São Paulo (USP) e também de organizações do coletivo Abrolhos para Sempre como Conservação Internacional Brasil, Instituto Baleia Jubarte e Instituto Coral Vivo.
Esta região conta com o Banco dos Abrolhos e o Banco Royal Charlotte, abrange aproximadamente 6.180.000 hectares de ambientes costeiros e marinhos, entre o Extremo Sul da Bahia e o Norte do Espírito Santo. A região inclui estuários, manguezais, gramas marinhas, o maior banco de rodolitos do mundo e os maiores recifes de coral do Brasil que, juntos, formam um centro de biodiversidade marinha único no Atlântico Sul. A região abriga ainda mais de 1300 espécies de animais e algas marinhas, entre as quais pelo menos 134 estão ameaçadas de extinção. Abrolhos é também o maior berçário de baleias-jubarte do Atlântico Sul, que estão presentes anualmente na região de junho a novembro.
O Coletivo Abrolhos para Sempre entrou em campanha para chamar a atenção da sociedade mundial sobre Abrolhos e vem compartilhando um farol de esperança para prosseguir na ampliação das áreas marinhas protegidas e na defesa dos territórios tradicionais das comunidades da região. O coletivo é composto pelo WWF-Brasil, Instituto Baleia Jubarte, Instituto Coral Vivo, Conservação Internacional Brasil, Voz da Natureza, Associação Mãe dos Extrativistas da Resex Canavieiras (AMEX Canavieiras), ArteManha, Associação das Marisqueiras e Pescadores de Belmonte (AMPB), Aliança Futuri e MOVE.
A figura abaixo mostra as Unidades de Conservação (UC) e os principais habitats da região.

Mas, apesar de sua importância, apenas partes dos recifes rasos, fundos arenosos, manguezais e estuários da região estão relativamente bem representados nas áreas protegidas atuais, com vários habitats ainda amplamente desprotegidos como os bancos de rodolitos, as buracas e recifes de média profundidade (mesofóticos). O Coletivo Abrolhos para Sempre segue em busca de mais ampliação e o Projeto Brasil 30×30, liderado pelo WWF-Brasil, vem sendo compartilhado para conhecimento e conscientização coletiva. O objetivo do tratado internacional 30×30 é alcançar a proteção de 30% dos Oceanos até 2030. A proteção da Região dos Abrolhos, pela sua importância para a conservação da biodiversidade marinha no Atlântico Sul, compõe os esforços do Brasil para o alcance desta meta.
A figura a seguir mostra os percentuais das áreas de cada habitat ou ecossistema que faz parte da atual rede de Unidades de Conservação (UC) na região.

Fonte: Dutra et al. 2025 A figura abaixo representa a importância biológica de cada área, reforçando a necessidade da ampliação da proteção.

Porém, sua diversidade não se limita ao oceano, contando com comunidades locais formadas por pescadores, marisqueiras, quilombolas e povos originários que vivem protegendo a pluralidade local, mantendo os valores e sendo detentores profundos de conhecimentos estratégicos de conservação sustentáveis. Três Reservas Extrativistas Marinhas (Corumbau, Cassurubá e Canavieiras) e um conjunto de Terras Indígenas e Territórios Quilombolas foram criadas para assegurar os meios de vida de uma parte destas comunidades.
Abrolhos é um exemplo onde a Biodiversidade e Sociodiversidade caminham juntos e geram uma grande Sociobiodiversidade, onde a vida marinha e a humana saem ganhando por fortalecerem produtos vindos das comunidades tradicionais, cooperativas, entidades locais, gerando renda e postos de trabalho, valorizando a história, tradição e preservando os mares.
E boa parte da economia da região tem como base essa Sociobiodiversidade. Estima-se que, atualmente, cerca de 11 mil pessoas na região dependem direta ou indiretamente da atividade pesqueira, que gera mais de R$100 milhões anualmente.
Recentemente, a Mission Blue, organização internacional fundada pela oceanógrafa Sylvia Earle em prol da conservação marinha, ressaltou que Abrolhos também é um Hope Spot – título que a região recebeu em 2013. Esses chamados “Pontos de Esperança” são lugares considerados únicos no mundo pela sua extraordinária biodiversidade e é uma das conquistas que o Coletivo Abrolhos para Sempre vem celebrando. Junte-se a essa causa!
A Região dos Abrolhos é um Hotspot de Sociobiodiversidade, merecendo atenção especial da sociedade para ser protegida e conservada, mantendo de forma saudável e duradoura a natureza e as pessoas que vivem dela e para ela.
FONTE: WWF BRASIL






















