Japão endurece venda de remédio$ para conter overdo$e entre jovens que buscam alternativa às droga$
Novas regras em vigor desde 1º de maio impõem restrições na compra de medicamentos que não precisam de receita médica em farmácias
O Japão passou a adotar regras mais rígidas para a venda de medicamentos comuns diante do avanço de casos de overdose, especialmente entre jovens.
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A mudança entrou em vigor no dia 1º de maio, com a revisão da lei que regula produtos farmacêuticos no país, informou a emissora NHK.
A nova legislação estabelece controles mais severos sobre remédios de venda livre que contenham determinados componentes associados ao risco de uso abusivo. Entre eles estão antigripais, antialérgicos, analgésicos e medicamentos para tosse.
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O que mudou?
A partir de agora, farmácias e drogarias são obrigadas a verificar a idade do comprador, além de checar o histórico de compras em outros estabelecimentos. Também passa a ser obrigatório orientar o consumidor sobre os riscos à saúde em caso de uso indevido.
Para menores de 18 anos, as exigências são ainda mais rigorosas. Será necessário confirmar o nome do comprador, e a venda fica limitada a uma única caixa com quantidade suficiente para até sete dias. Já no caso de adultos, a compra de grandes volumes ou de múltiplas unidades pode ser recusada caso não haja justificativa considerada adequada.
As mudanças também atingem a forma como as farmácias expõem esses medicamentos. Em muitos casos, apenas caixas vazias ficam nas prateleiras, enquanto o produto real é entregue no caixa, sob supervisão.
O perigo da overdose
Segundo o Ministério da Saúde, mesmo medicamentos comuns podem causar efeitos graves quando ingeridos em excesso, como perda de consciência, problemas respiratórios, danos ao fígado e arritmias — com risco de morte em situações mais graves.
Dados de pesquisas nacionais mostram que o problema tem alcance significativo entre adolescentes. Estimativas indicam que cerca de 1 em cada 70 estudantes do ensino médio e 1 em cada 55 do ensino fundamental já tiveram experiência recente com uso indevido de medicamentos.
Em casos de dependência tratados em instituições psiquiátricas, mais de 70% dos adolescentes utilizavam principalmente remédios de venda livre.
Especialistas apontam a facilidade de acesso como um dos fatores por trás do aumento desses casos, já que os jovens podem comprar facilmente os produtos ou até encontrá-los em casa.
Apesar do reforço nas regras, autoridades reconhecem que a medida não resolve completamente o problema. O uso abusivo também envolve medicamentos não incluídos na nova lista e até remédios controlados obtidos por prescrição médica.
Ações além do controle na venda de remédios
Outro ponto destacado é o contexto social por trás da prática. Especialistas indicam que fatores como isolamento, dificuldades emocionais e falta de apoio contribuem para o comportamento, o que exige ações além do controle na venda.
Com a mudança na lei, o governo também pretende ampliar iniciativas de apoio e orientação para jovens em situação de vulnerabilidade.
Além das restrições, uma flexibilização também foi introduzida: alguns medicamentos que antes só podiam ser vendidos presencialmente poderão ser comprados pela internet, desde que o consumidor receba orientação adequada de um farmacêutico de forma online.
Na prática, redes de farmácias já começaram a adaptar seus processos. Em uma drogaria em Tóquio, por exemplo, cerca de 150 tipos de medicamentos foram incluídos nas novas regras. Funcionários utilizam checklists para verificar idade, sintomas e histórico de compras.
Quando há suspeita de uso indevido, os estabelecimentos compartilham as informações internamente para evitar compras frequentes. “Estamos correndo para nos adaptar, mas temos a responsabilidade de proteger a saúde e evitar o uso indevido entre jovens”, afirmou o gerente de uma farmácia em Tóquio.
























