Jornal critica aumento das taxas de visto no Japão e diz que “estrangeiros são indispensáveis para a economia”
Editorial do Nihon Keizai Shimbun destaca a ausência de explicações claras por parte do governo sobre os motivos do grande reajuste
O jornal Nihon Keizai publicou um editorial na sexta-feira (8) abordando a proposta de aumento das taxas cobradas de estrangeiros para renovar visto ou tirar permanente no Japão. O texto demonstra preocupação com a falta de transparência do governo e alerta para possíveis efeitos negativos sobre a imagem do país e a atração de mão de obra estrangeira.
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De acordo com o jornal, o projeto de revisão da Lei de Controle de Imigração, atualmente em discussão no Parlamento japonês, prevê elevar o teto das taxas “de 10 a 30 vezes” em relação aos valores atuais. A medida poderá afetar cerca de 2,3 milhões de procedimentos de residência por ano.
O editorial explica que, caso o Parlamento aprove a proposta, “o valor máximo para renovação do período de permanência e mudança de status passará de 10 mil ienes para 100 mil ienes”, enquanto a taxa para residência permanente poderá subir “de 10 mil ienes para 300 mil ienes”.
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Embora o governo tenha indicado que os valores reais seriam menores — cerca de 10 mil ienes para permanências de até três meses e aproximadamente 70 mil ienes para vistos de cinco anos — o jornal ressalta que atualmente ambos os casos custam 6 mil ienes, o que representaria “um aumento expressivo da carga financeira”.
Ausência de explicações claras
O Nihon Keizai, o mais importante jornal do Japão especializado em economia, reconhece que os valores máximos não são reajustados desde 1981 e afirma que “refletir mudanças como a inflação é razoável”. No entanto, o principal ponto de crítica é a ausência de explicações claras sobre os motivos do aumento.
“O problema é que os fundamentos e os objetivos dos valores são pouco claros”, afirma o editorial.
Segundo o texto, a Agência de Serviços de Imigração do Japão argumenta que os recursos servirão para digitalização dos serviços migratórios e programas de ensino da língua japonesa, mas “não esclareceu quanto é necessário e para quê exatamente”.
O jornal também demonstra preocupação com a possibilidade de o dinheiro acabar sendo incorporado ao orçamento geral do governo, sem destinação específica. Nesse caso, segundo o editorial, surgem dúvidas sobre “se os recursos seriam usados para políticas pouco relacionadas aos estrangeiros”.
Outro ponto criticado é a justificativa de que o Japão estaria seguindo padrões internacionais. O Nihon Keizai afirma que o governo apresentou exemplos apenas de “alguns tipos de vistos em países ocidentais”, o que torna a comparação “pouco convincente”.
A publicação ainda chama atenção para possíveis impactos sobre solicitantes de refúgio e pessoas em situação financeira delicada. Embora o projeto preveja redução ou isenção das taxas em casos de dificuldade econômica, o editorial afirma que “não está claro quais situações serão contempladas”.
O jornal menciona também preocupações de que pessoas perseguidas em seus países de origem possam acabar sendo forçadas a retornar por não conseguirem arcar com os custos de renovação do status migratório.
“Trabalhadores estrangeiros são indispensáveis para a economia”
Além das taxas, o editorial cita outras medidas recentes de endurecimento da política migratória japonesa. Entre elas está o aumento da exigência de capital para o visto “Gestão e Administração”, voltado a empresários, que passou de 5 milhões para 30 milhões de ienes em alguns casos, provocando uma queda de 90% nos pedidos.
Segundo o texto, o governo japonês vem reforçando o discurso de que parte da população estaria preocupada com o aumento do número de estrangeiros no país. Ainda assim, o Nihon Keizai destaca que “os trabalhadores estrangeiros são indispensáveis para a economia japonesa, que enfrenta grave escassez de mão de obra”.
O editorial termina com um alerta sobre os possíveis efeitos dessa política para a imagem internacional do Japão.
“O país também se beneficia da diversidade, que pode gerar inovação”, afirma o jornal, acrescentando que é preciso evitar que o Japão passe a impressão de ser “um país hostil aos estrangeiros”. Isto poderia levar ao afastamento de profissionais e estudantes internacionais.
FONTE: ALTERNATIVA ON LINE

























