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Venezuela: 4 em 10 deslocados por terremotos estão nas ruas ou espaços públicos

Fome, disseminação doenças e falta de abrigo adequado são algumas das ameaças após tremores do último dia 24; serviços de saúde e necrotérios estão em estado de colapso; ONU intensifica apoio às vítimas e serviços de resgate.

As operações de busca e resgate continuam na Venezuela nesta terça-feira, enquanto milhares de sobreviventes do terremoto tentam encontrar abrigo após terem perdido suas casas. 

Na segunda-feira, as autoridades venezuelanas confirmaram 1.719 mortes, pelo menos 5.034 feridos e 15.866 pessoas afetadas ou deslocadas pelos tremores consecutivos, de magnitudes 7.2 e 7.5 na escala Richter.

Comparação de imagens de satélite de antes e depois de uma área costeira em Carabobo, Venezuela, mostrando a destruição causada pelos terremotos de junho de 2026.
CNES Imagens de satélite mostram edifícios altos em Caraballeda, Venezuela, antes (à esquerda) e depois dos terremotos que atingiram o país em 24 de junho

Comida em falta

Seis dias após os sismos, “a escassez de alimentos é generalizada” em La Guaira, o estado mais afetado, segundo a agência da ONU para refugiados, Acnur.

A porta-voz da entidade, Carlotta Wolf, afirmou nesta terça-feira que “os serviços básicos entraram em colapso e a conectividade foi amplamente interrompida”.

Ela ressaltou que as tensões dentro das comunidades estão aumentando devido à dificuldade de acesso à assistência. 

Abrigos abaixo do padrão

Uma avaliação rápida das necessidades realizada pelo Acnur nos estados de La Guaira, Distrito Capital, Miranda, Aragua e Carabobo mostrou que metade dos entrevistados estava abrigada com vizinhos ou parentes após o desastre.

Além disso, quase quatro em cada 10 estão vivendo nas ruas e espaços públicos, e outros em igrejas, escolas ou instalações improvisadas.

Carlotta Wolf alertou que “esses abrigos improvisados ​​não atendem aos padrões mínimos de proteção”, em termos de privacidade, espaços seguros e níveis básicos de higiene e conforto.

A porta-voz do Acnur também expressou preocupação com a presença de crianças desacompanhadas e separadas das famílias.

Equipes de busca e sobreviventes vasculham os escombros de um prédio que desabou em La Guaira, Venezuela, após grandes terremotos.
Unicef/ Rosali Herna Pessoas vasculham os escombros de prédios desabados em La Guaira, Venezuela

Caos no sistema de saúde

Já o porta-voz da Organização Mundial da Saúde, OMS, Christian Lindmeier, disse que “os serviços de saúde estão sob extrema pressão neste momento”.

Segundo ele, o aumento nos casos de trauma ultrapassa a capacidade das instalações de saúde. 

No sábado, a OMS analisou dados de 21 unidades de saúde em Caracas, La Guaira, Miranda e Falcón, concluindo que três estão “em estado crítico”, seis apresentam danos estruturais ou estão parcialmente funcionais e as restantes “permanecem operacionais sob grande pressão”.

Lindmeier alertou para a “prestação de serviços caótica” e fluxos de pacientes, marcados por superlotação, crescentes atrasos cirúrgicos, falha nas medidas de biossegurança e equipe severamente estressada.

O porta-voz da OMS também destacou “lacunas críticas” na prestação de cuidados de saúde, incluindo o colapso dos serviços forenses e de necrotérios, bem como o registro inadequado de vítimas e de pessoas desaparecidas.

Doenças podem se espalhar

OMS afirma ainda que há um risco de surtos de doenças preveníveis por vacinação, como sarampo, difteria, coqueluche, além de febre amarela e outras doenças transmitidas por vetores e pela água, incluindo dengue, chikungunya, zika, oropouche e malária.

Lindmeier explicou que muitos dos deslocados estão sob alto risco, devido à baixa cobertura vacinal antes do terremoto e ao acesso limitado às vacinas atualmente.

Ele adicionou que vários profissionais de saúde em La Guaira continuam desaparecidos, incluindo os responsáveis ​​por cuidados maternos na região, o que criou uma lacuna crítica na assistência obstétrica.

A resposta da ONU em números
Liberou US$ 15 milhões do Fundo Central de Resposta a EmergênciasEstabeleceu três centros de atendimento em La Guaira para famílias que perderam suas casasO Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, está coordenando a mobilização de 27 países e mais de 40 equipes de busca e salvamentoO Programa Mundial de Alimentos, WFP, tem mais de 3 mil toneladas de alimentos estocadas no país, quantidade suficiente para alimentar cerca de 10 mil famílias por dois meses.O Unicef mobilizou pessoal e suprimentos adicionais para atender cerca de 650 mil pessoas, incluindo 234 mil crianças. Para viabilizar uma resposta imediata, alocou US$ 1,5 milhão de seus recursos internos e US$ 1 milhão do Fundo Temático Humanitário GlobalA Organização Internacional para as Migrações, OIM, está se preparando para distribuir seus suprimentos nas áreas de maior necessidadeA Organização Mundial da Saúde, OMS, por meio da Organização Pan-Americana da saúde, Opas, já avaliou as condições de sete unidades de saúde, determinando necessidades de medicamentos, oxigênio, combustível e outros insumos essenciais. Além disso, está mobilizando equipes médicas especializadas. 

FONTE: ONU NEWS

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