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Fake news sobre guerra na Ucrânia nos mostram como se espalha a desinformação sem apoio de grupos políticos

Sem “ajuda” de grupos políticos, desinformação sobre guerra na Ucrânia circula em volume baixo e se resume, basicamente, em fake news “importadas” e “desinformação culposa” sobre os conflitos.

Na semana passada, A seção A Semana em Fakes aqui do Boatos.org analisou como a falta de interesse na guerra da Ucrânia dos grupos políticos mais engajados no Brasil (simpatizantes de Bolsonaro e simpatizantes de Lula) freou a disseminação de fake news sobre o assunto. Passada uma semana, é possível se aprofundar nesta análise. Mais do que isso: é possível imaginar como seria um cenário no qual a desinformação não fosse apoiada por estes grupos.

Obviamente, um assunto tão dominante como os conflitos na Ucrânia iria gerar fake news. Porém, elas se limitaram a teses que surgiram em outros países (sejam de apoiadores ou detratores de Vladimir Putin) ou do que podemos chamar de “desinformação culposa” (boatos que estão mais ligados a erros de apuração do que a mentiras criadas com intenção de desinformar). Nos últimos sete dias, desmentimos exatamente cinco notícias falsas sobre a guerra da Ucrânia. Quatro delas são importadas.

Uma delas é um vídeo que já havia sido utilizado em um fake news sobre a Covid-19. Nas imagens de uma reportagem de uma TV da Suíça que era originalmente sobre um protesto, um manifestante que “finge estar morto” se mexe dentro de um saco. O vídeo se espalhou com uma legenda falsa em inglês como se estivesse relacionada à guerra na Ucrânia e serviu como combustível para “fãs de Putin” falarem que a “guerra é falsa”.

Outra história importada surgiu em um tabloide britânico que não goza de boa reputação. De acordo com a “bomba” (infelizmente, comprada como verdade absoluta por sites de notícias no Brasil), Vladimir Putin estar com um câncer terminal. Detalhe: a fonte da matéria apresentava como “prova” a expressão “triste” e o rosto arredondado do presidente da Rússia.

Uma terceira fake news “importada” dá conta de uma imagem, claramente editada, de uma cruz que teria sido filmada no céu da Ucrânia. A imagem surgiu na Itália e, só depois, se espalhou em língua portuguesa. Neste caso, o boato se espalhou pelo caráter “milagroso” mais do que com intenções de se tomar parte de um lado da guerra.

A quarta história que veio do exterior está em um vídeo de um casal cantando a música Endless Love. Legendas em espanhol (que circularam por aqui) apontavam que os cantores eram o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky e a primeira-dama Olena Zelenska. A informação, mais uma vez, era falsa.

A única notícia falsa “made in Brazil” sobre a Ucrânia que vimos na semana foi de uma série de legendas erradas em um vídeo de um coral de crianças ucranianas. O que foi apresentado como “mensagem ao Sr. Putin” era, na realidade, a interpretação do hino da Ucrânia.

Nenhuma das cinco notícias falsas em questão foram, por aqui, submetidas a compartilhamento em massa ou orquestrado (como o que ocorreu, por exemplo, com as fake news sobre as vacinas). O resultado foram “fake news efêmeras” e desmentidos mais eficientes.

Esse quadro nos mostra como seria um ambiente online sem a participação de “gabinetes do ódio” ou “blogs (perfis) sujos”. Mesmo com um ambiente limitado a “fake news orgânicas” (que se espalham de forma natural), não teríamos o fim da desinformação. Mas, com certeza, teríamos uma internet muito mais saudável para se viver (ou se informar).

PS: caso algum grupo político resolva “se engajar” no apoio a um dos lados da guerra, teremos uma boa comparação de como se dá a desinformação com e sem a disseminação artificial.

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Destaques nas redes sociais

Desde o início de 2021, o Boatos.org promove a seção “A Semana em Fakes”, com análises sobre assuntos relacionados a fake news. O conteúdo é aberto para republicação em veículos de mídia. No momento, publicamos o conteúdo no Jorn., Portal MetrópolesPortal T5, Conexão Marília e O Anhanguera (caso tenha interesse, entre em contato com o Boatos.org para saber as condições). Para ver todos os textos da seção, clique aqui.

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