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Seguranças poderiam ter salvado Abe nos 2,5 segundos entre um tiro e outro, dizem especialistas

Seguranças poderiam ter salvado Shinzo Abe se o protegessem ou o removessem da linha de fogo nos 2,5 segundos entre um primeiro tiro perdido e um segundo disparo que o atingiu fatalmente, segundo oito especialistas em segurança que analisaram as imagens do assassinato do ex-líder japonês.

O fracasso em proteger Abe do segundo tiro seguiu o que parecia ser uma série de lapsos de segurança que antecederam o assassinato do primeiro-ministro em 8 de julho, disseram especialistas japoneses e internacionais.

A morte de Abe em Nara por um homem usando uma arma caseira chocou uma nação onde a violência armada é rara e os políticos fazem campanha perto do público com leve esquema de segurança.

As autoridades japonesas – incluindo o primeiro-ministro Fumio Kishida – reconheceram falhas de segurança e a polícia diz que está investigando.

Além dos especialistas em segurança, a Reuters conversou com seis testemunhas no local e examinou vários vídeos disponíveis online, feitos de diferentes ângulos, para reunir um relato detalhado das medidas de segurança.

Depois de deixar Abe exposto por trás enquanto discursava em uma via pública, sua equipe de segurança permitiu que o atirador – identificado pela polícia como Tetsuya Yamagami, 41 anos – chegasse a poucos metros do ex-premiê sem controle, carregando uma arma, mostraram as filmagens.

“Eles deveriam ter visto o homem caminhando deliberadamente em direção à retaguarda do primeiro-ministro e tomado alguma providência”, disse Kenneth Bombace, chefe da Global Threat Solutions, que forneceu segurança a Joe Biden quando ele era candidato à presidência.

Yamagami chegou a cerca de 7 metros de Abe antes de dar o primeiro tiro, que falhou, disse o jornal Yomiuri, citando fontes investigativas. Ele disparou o segundo tiro a cerca de 5 metros de distância.

Os seguranças de Abe não pareciam ter “círculos concêntricos de segurança” ao seu redor, disse John Soltys, ex-agente da Marinha e oficial da CIA, agora vice-presidente da empresa de segurança Prosegur. “Eles não tinham nenhum tipo de vigilância na multidão.”

Questionado sobre a análise dos especialistas, a polícia da província de Nara disse à Reuters em comunicado que o departamento estava “comprometido em identificar completamente os problemas de segurança” com a proteção de Abe, recusando-se a comentar mais.

As imagens de vídeo mostraram que, após o primeiro tiro, Abe se vira e olha por cima do ombro esquerdo. Dois seguranças correm para ficar entre ele e o atirador, um deles erguendo uma bolsa preta fina. Dois outros dirigem-se para o atirador.

Embora a segurança de Abe tenha abordado o agressor momentos depois, houve uma “resposta errada” porque alguns seguranças foram atrás do atirador em vez de se mover para proteger Abe, disse Mitsuru Fukuda, professor da Universidade Nihon especializado em gerenciamento de crises e terrorismo.

Havia segurança suficiente, “mas nenhuma sensação de perigo”, disse Yasuhiro Sasaki, policial aposentado na província de Saitama, que cuidava da segurança de autoridades e pessoas importantes. “Todo mundo ficou assustado e ninguém foi até onde Abe estava.”

A Agência Nacional de Polícia, que supervisiona as forças policiais nas províncias, disse que o assassinato de Abe foi o resultado de a polícia não cumprir sua responsabilidade e disse que montou uma equipe para revisar as medidas de segurança e proteção e considerar medidas concretas para evitar a recorrência de um incidente tão grave.

“Reconhecemos que houve problemas não apenas na resposta no local, como a configuração de segurança e proteção, implantação de pessoal e procedimentos fundamentais de segurança, mas também na forma como a Agência Nacional de Polícia esteve envolvida”, afirmou em comunicado.

As imagens mostraram quatro seguranças dentro das grades de proteção enquanto Abe falava, de acordo com Koichi Ito, ex-sargento da equipe especial do Departamento de Polícia Metropolitana de Tóquio, agora consultor de segurança.

Quando o ex-primeiro-ministro se aproximou para falar, Yamagami apareceu nas imagens de vídeo ao fundo, batendo palmas.

Enquanto Yamagami caminhava atrás de Abe, a segurança não parecia agir, mostrou a filmagem.

Abe deveria ter um segurança de proteção especial para afastá-lo, disse um membro do Serviço de Segurança Diplomática dos EUA, que protege diplomatas e dignitários estrangeiros.

“Nós o agarraríamos pelo cinto e pela gola, o protegeríamos com nosso corpo e nos afastaríamos”, disse o agente.

Katsuhiko Ikeda, ex-superintendente geral da polícia de Tóquio que comandou a segurança das cúpulas do Grupo dos Oito do Japão em 2000 e 2008, disse que a situação teria se desenvolvido de maneira muito diferente se a equipe de segurança de Abe estivesse perto o suficiente para alcançá-lo em um ou dois segundos.

Ito, o ex-sargento de polícia, disse que a segurança poderia ter parado o primeiro tiro se eles estivessem vigilantes e se comunicando.

“Mesmo que eles tenham perdido isso, houve uma janela de mais de dois segundos antes do segundo tiro, então eles definitivamente poderiam ter evitado isso”, disse ele. “Se Abe tivesse sido protegido adequadamente, o assassinato poderia ter sido evitado.”

FONTE: ALTERNATIVA ON LINE

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