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Acusado de atirar contra ex-premiê Abe pede desculpas à família pela primeira vez

Em audiência, o homem acusado de atirar fatalmente contra o ex-premiê japonês Abe Shinzo e outros crimes pediu desculpas por seus atos à família enlutada. É a primeira vez que Yamagami Tetsuya pede desculpas à família Abe.

Yamagami compareceu, na quinta-feira, à 14ª audiência de seu julgamento no Tribunal Distrital de Nara, onde ocorreu a última sessão de interrogatório.

O réu, de 45 anos, é acusado de ter matado Abe com uma arma de fogo caseira na cidade de Nara, oeste do Japão, em 2022, enquanto o ex-primeiro-ministro fazia um discurso de campanha em apoio a um candidato para eleição da Câmara Alta. Yamagami admitiu as acusações em sua primeira audiência em outubro.

No interrogatório, Yamagami disse à defesa que não guarda rancor contra membros da família Abe, incluindo a viúva, Akie.

Ele disse imaginar o quão devastados eles devem ter se sentido por três anos e meio por causa do assassinato. Também disse que ele mesmo sofreu com a perda de familiares.

O réu acrescentou que não há margem para desculpas e que se sente profundamente arrependido.

Questionado sobre a motivação do crime, Yamagami disse que agiu para se vingar por seu irmão mais velho e outros membros da família, bem como por pessoas vítimas do grupo religioso amplamente conhecido como Igreja da Unificação.

Ele disse acreditar que o incidente não teria acontecido caso seu irmão não tivesse morrido.

Em questionamento por parte dos juízes, Yamagami descreveu o ex-primeiro-ministro Abe como influente. O réu disse acreditar ser fortemente responsável por seus próprios atos terem causado consequências negativas, como promover teorias da conspiração, bem como inspirar imitadores, incluindo um que realizou um ataque semelhante durante uma campanha eleitoral.

O réu também disse que acha errado que Abe tenha tido que ser morto.

A equipe de defesa mencionou o grupo religioso, pois o incidente trouxe à tona problemas relacionados aos filhos de seus seguidores. Uma ordem judicial foi emitida para dissolver o grupo.

A equipe perguntou a Yamagami se ele esperava tal impacto.

Ele respondeu que não pôde antecipá-lo, mas que ficou satisfeito. Também disse que o impacto sobre o grupo religioso é algo que ele acredita ser merecido.

A viúva de Abe compareceu à audiência pela primeira vez na quarta-feira, mas ela não estava presente na sessão do dia seguinte.

A severidade da pena é o principal ponto de discórdia no julgamento. As audiências estão programadas para serem concluídas em 18 de dezembro, quando a promotoria exigirá uma sentença e a defesa apresentará um argumento final.

FONTE: NKH PORTUGUES

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