Inflação perde força e preços de alimentos ficam estáveis, favorecendo o consumo familiar
Análise sobre resultado do IPCA é do economista-chefe da APAS, Felipe Queiroz
O IPCA referente ao mês de novembro apresentou uma inflação de 0,18%, influenciada principalmente por despesas pessoais. Por outro lado, itens fundamentais na cesta de consumo dos brasileiros, especialmente alimentação e bebida, ficaram relativamente estáveis, com viés de queda, o que contribui para o orçamento familiar, especialmente com as compras de final de ano. A análise é do economista-chefe da APAS – Associação Paulista de Supermercados, Felipe Queiroz.
Com o resultado de novembro, o indicador acumula uma alta nos últimos 12 meses inferior ao teto da meta de inflação, que é de 4,5%. Isso mostra que as ações, tanto do Banco Central quanto os aspectos relacionados à nossa safra recorde de grãos, quanto à taxa de câmbio, tudo isso tem contribuído com a desaceleração do indicador e a convergência, no médio e longo prazo, para o centro da meta.
“Como nós estamos abaixo do limite superior, entendemos que é o momento de o Banco Central já iniciar o ciclo de redução da taxa de juros. A inflação está controlada. Devemos lembrar que, anos atrás, 4,5% não era o limite da meta de inflação e sim o centro da própria meta. Cada vez mais o Brasil tem uma política monetária e um sistema de metas de inflação mais rígido e com menor tolerância ao processo inflacionário. Por isso, nosso problema atual não é a inflação, e sim baixo crescimento, crescimento aquém do potencial”, destaca Queiroz.
Ele reforça que é preciso ter uma taxa de juros mais civilizada e que estimule os investimentos. “Temos uma inflação controlada, porém uma economia que sofre os efeitos deletérios de uma taxa de juros persistentemente elevada, acima de um nível que estimule tanto a produção quanto o consumo das famílias. Nesse sentido, acreditamos que há espaço para a redução de juros já nessa reunião do COPOM”, complementa.
Expectativa positiva
Além disso, na comparação intra-anual, novembro de 2025 contra novembro de 2024, foi observada uma forte desaceleração do indicador. No último ano, em novembro, a inflação estava em 0,39%. Nesse ano, em 0,18%.
“A expectativa para o mês de dezembro é de que nós tenhamos a manutenção desse ciclo de desaceleração no comparativo anual. Não temos este ano a mesma pressão cambial do que no ano passado. Além disso, no ano passado, não tínhamos uma safra tão boa quanto a deste ano. Então, nós temos um outro elemento que contribui para que a inflação venha a manter esse ciclo de desaceleração no acumulado, não apenas no último mês do ano, mas no acumulado de todo o ano de 2025. Enfatizo, é a primeira vez, desde o último ano, que o índice de inflação desacelera e converge para dentro da banda de flutuação da meta de inflação”, observa o economista-chefe da APAS.
Todos os dados apontam para uma inflação com menor pressão sobre os orçamentos das famílias e com a expectativa de que o ciclo de arrocho monetário já se encerre nos próximos meses, finaliza Felipe Queiroz.
FONTE: ASPAS

























