Primeira-ministra do Japão convoca eleições antecipadas: “O povo decidirá se devo continuar no cargo”
“Em vez de zerar imposto, o governo deveria promover o aumento salarial”, opinou um empresário sobre a proposta de campanha
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, formalizou na segunda-feira (19) a decisão de dissolver a Câmara Baixa na próxima sexta-feira (23), data de abertura da sessão ordinária do Parlamento, e convocar eleições antecipadas para 8 de fevereiro, informou a emissora Fuji TV.
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“O povo decidirá se devo continuar como premiê”, disse ela em uma coletiva de imprensa na noite de segunda-feira.
Como principal bandeira de campanha para combater a inflação, Takaichi prometeu zerar o imposto sobre o consumo de produtos alimentícios por um período de dois anos. Atualmente, esses itens têm um taxa de 8%, e a proposta visa aliviar diretamente as famílias de média e baixa renda.
Contudo, a premiê não detalhou de onde virão os recursos para cobrir essa renúncia fiscal, limitando-se a dizer que estabelecerá um “conselho nacional” para estudar a viabilidade da medida.
Takaichi justificou a dissolução da Câmara Baixa afirmando que muitas das políticas do atual acordo de coalizão entre o Partido Liberal Democrata (PLD) e o Partido da Inovação (Ishin no Kai) não constavam na promessa eleitoral anterior, sendo necessário “pedir o voto de confiança do povo”.
Oposição critica medida
A oposição, no entanto, reagiu com dureza. Yoshihiko Noda, líder do Partido Democrático Constitucional, criticou o timing, afirmando que o governo deveria focar em aprovar o orçamento do próximo ano fiscal para garantir medidas imediatas contra a inflação.
Tomoko Tamura, do Partido Comunista, classificou o movimento como uma “fuga do debate parlamentar”. Já Yuichiro Tamaki, do Partido Democrático para o Povo, alertou que a eleição paralisará o governo no momento em que a economia mais precisa de estabilidade.
A meta estabelecida por Takaichi — manter a maioria simples da coalizão (233 cadeiras) — gerou controvérsia. Especialistas e jornalistas, como o comentarista da TV Asahi, Toru Tamakawa, ironizaram o objetivo modesto.
Como o governo atual já possui cerca de 230 cadeiras, sem contar os parlamentares independentes, Tamagawa questionou a necessidade de uma eleição para “buscar o que já se tem”. Para ele, se Takaichi está colocando seu cargo em jogo, a meta deveria ser a maioria absoluta apenas para o PLD.
Eleitores com opiniões divergentes
Este será o terceiro pleito nacional em apenas um ano e quatro meses, o que gera fadiga no eleitorado.
Kantoji Uji (24 anos), estudante de Tóquio, comemorou a possibilidade do imposto zero: “O preço dos alimentos subiu muito, seria de grande ajuda”.
Kai Nakata (33 anos), empresário, mostrou-se cético: “Em vez de zerar imposto, o governo deveria focar em promover o aumento salarial”.
A eleição também marcará o primeiro grande teste para o novo bloco de oposição “Aliança de Reforma Centrista”, formado recentemente pela fusão de setores do Partido Democrático Constitucional e do Komeito, que Takaichi rotulou como um grupo “sem o povo e apenas com fins eleitorais”.
FONTE: ALTERNATIVA ON LINE






















