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Bloqueio no Estreito de Ormuz ameaça safra global e pode reacender inflação dos alimentos

Sob risco de paralisação prolongada, o Estreito de Ormuz voltou ao centro da preocupação internacional após a FAO alertar para impactos diretos no abastecimento de combustíveis e fertilizantes essenciais à próxima safra agrícola.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a interrupção da navegação ligada ao conflito no Oriente Médio pode provocar alta nos preços dos alimentos e uma nova onda inflacionária ainda neste ano, com efeitos semelhantes aos registrados depois da pandemia de Covid-19.

Segundo o economista-chefe da agência, Máximo Torero, entre 30% e 35% do petróleo bruto deixaram de ser movimentados, além de 20% do gás natural e de 20% a 30% dos fertilizantes, cenário que pressiona a cadeia global de produção de alimentos.

Mesmo com estoques ainda suficientes para dar alguma resiliência ao sistema agroalimentar, a FAO avalia que essa margem de segurança pode durar pouco, especialmente com a proximidade das decisões de plantio nas próximas semanas.

Com custos mais altos e acesso restrito a fertilizantes, produtores rurais podem reduzir o uso de insumos ou alterar os cultivos, fator que tende a derrubar a produtividade da próxima safra e ampliar a pressão sobre os preços.

Pelos dados mais recentes da FAO, o Índice de Preços dos Alimentos referente a março permaneceu relativamente estável por causa da ampla oferta de commodities, sobretudo cereais, mas a pressão começou a crescer em abril e deve se intensificar em maio.

Caso o impasse no Estreito de Ormuz não seja resolvido rapidamente, a agência defende medidas preventivas, incluindo apoio financeiro de instituições multilaterais a países com risco de perder acesso a insumos básicos em pleno início do plantio.

Nem mesmo o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã foi suficiente para restabelecer a confiança no tráfego marítimo, já que as negociações mediadas pelo Paquistão no fim de semana terminaram sem avanços concretos.

Muitas embarcações seguem retidas no Golfo, enquanto novos carregamentos aguardam autorização para cruzar a rota, sinalizando que a normalização do fluxo pode levar dias ou até semanas, mesmo com eventual redução das tensões.

Fonte: FAO. (ONU NEWS)

Imagem:  Unsplash

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