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Acnur adota inteligência artificial para otimizar apoio a 42 milhões de refugiados

Ferramentas de IA estão a ser integradas pela Agência da ONU para os Refugiados (Acnur) no planeamento de ações que atendem pessoas deslocadas ao redor do mundo.

Com quase 42 milhões de refugiados em escala global e operações em diversos países, a tecnologia surge como aliada para identificar riscos de proteção mais cedo, melhorar a preparação para emergências e reforçar a tomada de decisões operacionais, segundo o chefe do Acnur, Barham Salih.

Sistemas internos já estão em funcionamento. O “Shape”, assistente de IA generativa do Acnur, atua como plataforma segura capaz de pesquisar bases de dados, orientações e documentação específica por país. Para o alto funcionário, o uso responsável da IA — com salvaguardas robustas — reduz a carga administrativa, acelera decisões e libera os trabalhadores para dedicar mais tempo à proteção direta e a novas soluções.

Inovação também chega aos serviços para refugiados. A agência mantém uma rede de sites com informações por país sobre registo, determinação de estatuto, reinstalação, apoio jurídico, saúde, educação, habitação e suporte a vítimas de violência de gênero. Na próxima fase, uma ferramenta de IA recolherá dados básicos do utilizador — como país de origem e de asilo — e o encaminhará à informação mais relevante no seu próprio idioma. O objetivo é poupar tempo e reduzir deslocações desnecessárias, enquanto os profissionais se dedicam a casos mais complexos que exigem atendimento presencial.

Desafios acompanham o avanço tecnológico. O Acnur alerta para riscos de fuga de informação sensível — dados sobre etnia, religião, estatuto legal ou motivos de pedido de asilo — que podem colocar vidas em perigo. Limitações estruturais da IA, como “alucinações” e enviesamentos nos dados e respostas, também são reconhecidas.

Para que a IA beneficie milhões de deslocados e apátridas, a agência defende a criação de novas parcerias com empresas tecnológicas, organizações de refugiados, instituições de investigação, entidades filantrópicas e governos.

FONTE: ONU NEWS

IMAGEM: © ACNUR/Hyejin Lee

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