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Terremotos na Venezuela: ONU assiste 207 mil pessoas, mas financiamento cobre só 42% das necessidades

Meses após dois terremotos devastadores atingirem a Venezuela, a resposta humanitária coordenada pelas Nações Unidas alcançou mais de 207 mil pessoas. Os sismos afetaram a capital e estados vizinhos num cenário econômico já frágil, em que cerca de 7,9 milhões de venezuelanos precisavam de assistência no início do ano. Isolados os vilarejos costeiros, ficaram paralisadas a pesca e o turismo, principais fontes de renda das famílias, em meio ao estado de emergência nacional declarado após os tremores — entre os mais fortes já registrados no país.

Segundo o Escritório da ONU de Assistência Humanitária (Ocha), a resposta conjunta entre Nações Unidas, governos e sociedade civil beneficiou os afetados até o fim de julho. Mais de 90% dos atendidos estão concentrados nos sete estados diretamente atingidos pelos terremotos.

La Guaira lidera o ranking, com 142,9 mil pessoas assistidas, seguida pelo Distrito Capital, Miranda e Aragua. Entre os beneficiados estão 111,8 mil mulheres, 95,9 mil homens e mais de 2,2 mil pessoas com deficiência.

A operação reúne 70 organizações: sete agências da ONU, 24 ONGs internacionais e 39 entidades nacionais e locais, atuando em 14 estados, 52 municípios e 104 paróquias. Os maiores esforços operacionais concentram-se nas áreas de saneamento, saúde e segurança alimentar.

O Programa Mundial de Alimentos (WFP) atendeu mais de 100 mil pessoas com refeições em abrigos e cestas básicas em mais de 80 comunidades rurais e urbanas. Em regiões onde os mercados locais seguem operando, a agência distribuiu cupons eletrônicos para estimular a economia local. O WFP projeta atender até 500 mil pessoas nos três primeiros meses de operação e fez apelo urgente por US$ 80 milhões para manter o abastecimento.

Paralelamente, o governo venezuelano e as organizações parceiras iniciaram avaliação detalhada do terreno para orientar os planos de recuperação e desenvolvimento de longo prazo. Entre os principais doadores estão os Estados Unidos (US$ 270 milhões), a Comissão Europeia (US$ 36,5 milhões), o Fundo Central de Resposta de Emergência da ONU (US$ 17 milhões) e a Suíça (US$ 11,2 milhões). Apesar disso, o porta-voz do secretário-geral da ONU alertou que o Plano de Resposta Humanitária dispõe de apenas 42% dos recursos necessários. Ele reforçou o apelo por apoio internacional contínuo para que as organizações sigam prestando socorro às populações afetadas nos próximos meses.

Fonte: ONU News, com dados divulgados pelo Escritório da ONU de Assistência Humanitária (Ocha) e pelo Programa Mundial de Alimentos (WFP).

Imagem: © Unicef/Gustavo Lopez

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