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Japão dos solteiros? Metade da população pode acabar sem cônjuge

Especialista prevê que, somando solteiros e divorciados, o Japão poderá se aproximar de uma sociedade em que metade das pessoas não terá cônjuge.

O Japão poderá se aproximar de uma sociedade em que cerca de metade das pessoas não terá cônjuge, considerando não apenas quem nunca se casou, mas também aqueles que passaram por divórcio.

A avaliação foi apresentada pelo professor Masahiro Yamada, especialista em sociologia da família da Universidade Chuo, durante debate exibido por um programa de TV no Japão.

A discussão ganhou destaque após uma publicação nas redes sociais questionar projeções oficiais segundo as quais a proporção de pessoas que chegam aos 50 anos sem nunca terem se casado deverá atingir um pico por volta de 2040 e depois começar a diminuir.

Segundo as projeções citadas no programa, em 2040, 30,4% dos homens e 22,2% das mulheres poderão chegar aos 50 anos sem nunca terem se casado. Os números já cresceram significativamente nas últimas décadas. Em 1970, a proporção era de apenas 1,7% entre os homens e 3,3% entre as mulheres. Em 2020, havia subido para 28,3% e 17,8%, respectivamente.

Especialista considera improvável que metade nunca se case

Yamada demonstrou cautela diante da hipótese de que metade da população permaneça solteira durante toda a vida. Segundo ele, a proporção de pessoas que nunca se casaram poderá chegar aproximadamente a 30% a 35% entre os homens e 20% a 25% entre as mulheres.

No entanto, o especialista destaca que a situação muda quando também são consideradas as pessoas divorciadas. Com o aumento do número de separações, ele acredita que uma sociedade em que aproximadamente metade da população esteja sem cônjuge pode estar próxima.

O professor também observa que pesquisas mostram que muitas pessoas ainda desejam se casar algum dia. Ao mesmo tempo, estaria aumentando entre os jovens a preocupação com a vida na velhice, principalmente diante da possibilidade de perder os pais, deixar o mercado de trabalho e acabar vivendo de forma isolada.

Entre os obstáculos ao casamento, Yamada cita a busca por estabilidade financeira e a dificuldade de encontrar um parceiro considerado adequado. Nas regiões fora dos grandes centros urbanos, acrescentou, também existem locais onde há pessoas que querem se casar, mas encontram poucas oportunidades de conhecer possíveis parceiros.

Custos e insegurança com o futuro entram no debate

Durante o programa, participantes apontaram ainda o aumento do custo de vida, a estagnação dos salários e os elevados preços dos imóveis como possíveis fatores que levam jovens a adiar casamento e filhos.

Yamada explicou que, durante períodos de forte crescimento econômico, as pessoas tendem a acreditar que seus filhos terão um futuro melhor. Quando a economia deixa de crescer ou surgem incertezas, porém, aumenta a preocupação de que seja necessário oferecer melhores condições a cada filho.

Segundo o especialista, esse sentimento pode levar algumas pessoas a pensar que não conseguiriam proporcionar uma vida adequada às crianças e, consequentemente, a desistir do casamento ou de formar uma família. Ele considera importante que exista uma perspectiva de melhora da renda e das condições de vida para uma parcela ampla da população, embora reconheça que alcançar esse cenário seja difícil nas atuais condições econômicas.

Sociedade menos dependente dos filhos

Outro ponto discutido foi a necessidade de preparar o Japão para uma população com menos crianças e mais pessoas vivendo sem cônjuges ou descendentes. Durante o debate, foi sugerido que o país deveria desenvolver rapidamente um sistema social no qual as pessoas não precisem depender dos próprios filhos para receber cuidados na velhice.

Yamada concordou com a ideia e afirmou que, paradoxalmente, criar uma sociedade menos dependente dos filhos poderia até contribuir para aumentar o número de crianças, ao reduzir parte da insegurança associada ao futuro.

Como condição básica, o professor defendeu também avanços na igualdade entre homens e mulheres e a criação de ambientes nos quais casais possam trabalhar e criar filhos ao mesmo tempo. Segundo ele, a participação feminina em empregos regulares continua relativamente baixa, especialmente em algumas regiões do país.

O debate mostra que o avanço da população sem cônjuge no Japão não está ligado a apenas um fator, mas a uma combinação de mudanças sociais, condições econômicas, oportunidades de relacionamento e preocupações com a velhice.

FONTE: PORTAL MIE

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