Perda gestacional: saúde mental após o luto ainda é negligenciada, alerta Febrasgo
Nascida em Manaus, Kalyane Ribeiro, hoje com 34 anos, enfrentou a perda gestacional precoce aos 32, após um ano e meio de tentativas para engravidar. O episódio, uma interrupção involuntária da gravidez que pode ocorrer até a 20ª semana, deixou marcas profundas na saúde mental da mulher. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil alertam que o acolhimento psicológico após a perda ainda é negligenciado por familiares, amigos e até profissionais de saúde.
Dados da Febrasgo mostram que entre 15% e 20% das gestações não evoluem. Para o obstetra Romulo Negrini, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Assistência ao Abortamento, Parto e Puerpério da Febrasgo, o evento é traumático e exige assistência especializada. Sintomas como tristeza profunda, culpa, ansiedade e insônia são reações humanas esperadas, ressalta o médico. Alterações hormonais, que duram cerca de 15 dias, também impactam o quadro emocional, explica a psiquiatra Andréa Cristina Galastri. Quando o sofrimento paralisa a vida por mais de um mês, a indicação é psicoterapia e medicação.
Kalyane diz que as pessoas minimizam a dor com frases como “você vai ter que tentar de novo”, sem perceber que não se trata de substituir o filho. Pessoas em sofrimento podem buscar ajuda no Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188, com atendimento gratuito 24 horas.
Fonte: Agência Brasil
Imagem: Gerada pelo site através de I.A.































