Janela Para o JapãoNotícias

Fuzileiro americano é preso sob suspeita de matar mulher e roubar pertences em hotel de Okinawa

A primeira-ministra Sanae Takaichi classificou o caso como “extremamente cruel e grave” e o governo japonês apresentou um forte protesto aos EUA

A polícia de Okinawa prendeu neste domingo (4) um fuzileiro naval americano de 20 anos, suspeito de matar uma mulher e roubar seus pertences em um hotel de Naha. O militar negou envolvimento no crime durante o interrogatório.

Clique aqui para seguir o canal da Alternativa no WhatsApp

O suspeito foi identificado como Devin Jacob Ballard, lotado na base aérea de Futenma, em Ginowan. Ele ocupa o posto de lance corporal, equivalente a cabo no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos.

De acordo com a polícia, Ballard teria matado Anna Yagi, de 39 anos, em um hotel no bairro de Wakasa, entre 2h10 e 4h15 de sábado (3). Em seguida, teria levado a carteira e a mochila da vítima.

Acompanhe nossos canais e não perca nenhuma novidade

A mulher morava no bairro de Kokuba, também em Naha. A polícia investiga a causa da morte e as circunstâncias em que os dois chegaram ao hotel.

“Não sei de nada”, diz acusado

De acordo com a NHK, câmeras de segurança registraram um homem com aparência estrangeira entrando no quarto com a vítima. Mais tarde, o mesmo homem teria deixado o estabelecimento carregando os pertences dela.

Os investigadores analisaram as imagens e passaram a procurar um homem de cabeça raspada e tatuagens nos dois braços. Na noite de sábado, policiais encontraram uma pessoa com essas características caminhando sozinha em uma área de entretenimento de Okinawa, a cerca de 18 quilômetros do hotel.

Os agentes levaram o militar voluntariamente a uma delegacia e efetuaram a prisão durante a madrugada. Segundo a polícia, Ballard afirmou durante o interrogatório: “Não sei de nada”, negando a acusação.

A agência Kyodo informou que o suspeito permanece sob custódia das autoridades japonesas. A polícia de Okinawa conduz a investigação em cooperação com os órgãos de investigação das Forças Armadas dos Estados Unidos.

Governo japonês protesta contra os Estados Unidos

A primeira-ministra Sanae Takaichi classificou o caso como “extremamente cruel e grave”. Em uma publicação nas redes sociais, ela afirmou que o governo japonês apresentou um forte protesto aos Estados Unidos e exigiu total colaboração com a investigação. Além disso, Takaichi cobra medidas para reforçar a disciplina dos militares americanos e impedir novos casos.

O ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, também condenou o episódio. “Um caso como este é inadmissível e imperdoável. Sinto uma profunda indignação”, declarou, segundo a TBS.

Koizumi disse que o Ministério da Defesa exigiu dos Estados Unidos uma resposta rápida e adequada à família da vítima, assim como o reforço da educação e da disciplina entre os militares.

O vice-ministro administrativo das Relações Exteriores, Takehiro Funakoshi, telefonou para o embaixador americano no Japão, George Glass, e apresentou um protesto formal. Segundo a Kyodo, o governo japonês também cobrou plena cooperação com as investigações.

Glass manifestou pesar pelo caso e afirmou que os Estados Unidos colaborarão integralmente com as autoridades japonesas. A Embaixada dos Estados Unidos e o comando dos fuzileiros em Okinawa também divulgaram notas de condolências à família e aos amigos da vítima.

O comando americano afirmou que considera a acusação “extremamente grave” e que está cooperando ativamente com as autoridades japonesas.

Casos voltam a aumentar em Okinawa

As Forças Armadas americanas mantêm um sistema de restrições chamado Liberty Policy, que proíbe militares de entrar em estabelecimentos que servem bebidas alcoólicas entre 1h e 5h. Alguns locais também são classificados como off-limits, o que impede a entrada dos militares em qualquer horário.

Além disso, desde abril de 2025, militares americanos participam de patrulhas conjuntas com a polícia japonesa em cidades como Naha e Okinawa. No entanto, moradores e autoridades locais questionam a eficácia dessas medidas diante da repetição de crimes envolvendo integrantes das forças americanas.

Okinawa representa apenas 0,6% do território japonês, mas concentra aproximadamente 70% das instalações de uso exclusivo das Forças Armadas dos Estados Unidos no país.

Dados apresentados pela NHK, com base nas estatísticas da Polícia de Okinawa, mostram que militares, funcionários civis e outros integrantes das forças americanas foram detidos em 6.409 casos relacionados a crimes previstos no Código Penal entre a reversão de Okinawa ao Japão, em 1972, e o fim de 2025.

Depois de cair para 23 casos em 2016, o número voltou a crescer a partir de 2019. Em 2025, chegou a 101, superando a marca de 100 pela primeira vez desde 2003. Cerca de 600 ocorrências registradas desde 1972 envolvem crimes graves, como homicídio, roubo e violência sexual.

FONTE: ALTERNATIVA ON LINE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *