Osaka e região podem enfrentar falta de 3,36 milhões de trabalhadores até 2050, mostra estudo
Mesmo com aumentos salariais e ganhos de produtividade, déficit ainda chegaria a 1,18 milhão; contratação de estrangeiros, sozinha, não resolverá o problema
A região de Kansai, onde fica Osaka, poderá enfrentar uma escassez de 3,36 milhões de trabalhadores em 2050, pressionada pela redução da população e pelo forte aumento da demanda por profissionais em áreas como saúde e assistência social.
Clique aqui para seguir o canal da Alternativa no WhatsApp
A projeção consta na edição de 2026 do “Livro Branco da Economia de Kansai”, publicada nesta quarta-feira (7) pelo Asia Pacific Institute of Research (APIR), instituto privado de pesquisas com sede em Osaka. O estudo analisa alternativas para reduzir o desequilíbrio entre a oferta e a demanda de mão de obra diante do avanço do envelhecimento populacional.
Segundo o jornal Sankei, os pesquisadores estimam que a região começará a registrar falta de trabalhadores em 2029, com um déficit inicial de aproximadamente 50 mil pessoas. A diferença subiria para 140 mil em 2030, 1,68 milhão em 2040 e 3,36 milhões em 2050.
Acompanhe nossos canais e não perca nenhuma novidade
Mesmo em um cenário com aumentos salariais e avanços na produtividade, Kansai ainda teria uma carência de cerca de 1,18 milhão de trabalhadores em 2050. Por isso, o instituto defende uma combinação de medidas, em vez de uma solução isolada.
Número de trabalhadores deve cair enquanto demanda aumenta
O levantamento considerou a evolução demográfica, os salários e a produtividade em seis setores, entre eles indústria, construção, saúde e assistência social, hotelaria e alimentação.
De acordo com as estimativas, o número de pessoas ocupadas na região cairá de aproximadamente 11,04 milhões em 2025 para 8,77 milhões em 2050. Ao mesmo tempo, a demanda por mão de obra subirá de 10,73 milhões para 12,13 milhões.
Esse movimento explica o rápido crescimento do déficit: enquanto a população disponível para trabalhar diminui, determinados setores precisarão contratar mais profissionais.
A área de saúde e assistência social deverá exercer a maior pressão. Com o envelhecimento da população, a demanda por trabalhadores do setor poderá dobrar, passando de cerca de 1,65 milhão em 2025 para 3,32 milhões em 2050.
O impacto da queda populacional tende a se tornar ainda mais intenso a partir da década de 2040, quando a falta de trabalhadores poderá limitar a capacidade de crescimento das empresas e a manutenção de serviços essenciais.
A edição de 2026 do livro branco dedica parte de sua análise justamente à necessidade de assegurar mão de obra em uma sociedade com população em declínio. Segundo a apresentação divulgada pelo APIR, o relatório examina o desequilíbrio entre oferta e demanda de trabalhadores como um dos principais obstáculos ao crescimento econômico de Kansai. :chatgpt-content-reference{index=”0″}
Estrangeiros teriam papel maior, mas não seriam suficientes
A contratação de estrangeiros aparece como uma das alternativas, embora o instituto alerte que essa medida também tem limites.
Kansai tinha aproximadamente 700 mil residentes estrangeiros em 2025. O estudo estima que cerca de metade deles trabalhava. Para que apenas os estrangeiros cobrissem a futura escassez de mão de obra, seria necessário ampliar sua presença para uma escala equivalente a aproximadamente quatro vezes a situação atual.
Yoshihisa Inada, diretor de pesquisas do APIR, explicou ao Sankei que depender exclusivamente dessa alternativa não seria realista. Além de ampliar a entrada de trabalhadores de outros países, empresas e governos locais precisariam criar condições para que essas pessoas permanecessem na região.
O crescimento do trabalho estrangeiro já ocorre em todo o Japão. Dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar mostram que o país tinha 2.571.037 trabalhadores estrangeiros em outubro de 2025, número recorde e 11,7% superior ao registrado um ano antes.
O total de estabelecimentos que empregavam estrangeiros também alcançou o recorde de 371.215. As categorias profissionais e técnicas concentravam o maior grupo, com 865.588 pessoas, seguidas pelos residentes com vistos baseados em vínculo familiar ou condição pessoal, como permanentes e descendentes de japoneses.
Formação e permanência serão decisivas
Diante desse cenário, o APIR recomenda ampliar a contratação de profissionais estrangeiros altamente qualificados. Além disso, formar mais trabalhadores japoneses em áreas científicas e tecnológicas e reforçar os programas de integração e permanência mantidos pelas províncias.
Essas políticas também precisam avançar ao lado de aumentos reais de salários e investimentos em tecnologia, automação e produtividade.
Inada ressaltou que nenhuma medida, quando adotada sozinha, será suficiente para eliminar a futura escassez. A resposta, segundo ele, exigirá uma estratégia que reúna valorização salarial, ganhos de produtividade, aproveitamento de profissionais formados no Japão e contratação de trabalhadores estrangeiros.
FONTE:ALTERNATIVA ON LINE































