Fome ameaça quase 40% dos afegãos neste inverno, alertam agências da ONU
Escassez de trabalho, custos elevados e queda da ajuda humanitária restringem o acesso das famílias aos alimentos; FAO e WFP pedem financiamento urgente.
Cerca de 19,2 milhões de afegãos enfrentarão níveis elevados de insegurança alimentar aguda entre novembro e abril, período de escassez sazonal no país. A cifra consta da mais recente análise da Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC) e representa um aumento em relação aos 17,4 milhões projetados para o mesmo período do ano anterior. O total equivale a quase 40% da população afegã e foi divulgado esta semana pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e pelo Programa Mundial de Alimentos (WFP). De acordo com as agências, 5 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda chegarão a níveis de fome de emergência — o dobro do número previsto para o período de abril a setembro de 2026.
Escassez de trabalho, custos elevados de alimentos e transportes e a redução da assistência humanitária restringem o acesso das famílias aos alimentos, segundo a ONU. A crise atinge sobretudo mães e crianças: prevê-se que os casos de subnutrição aumentem quase 10%, chegando a 4 milhões — um quarto deles graves e potencialmente fatais. O retorno forçado de mais de 1,2 milhão de afegãos, o encerramento de fronteiras, a perturbação de rotas comerciais críticas e os défices drásticos de financiamento completam o quadro de choques cumulativos.
As chuvas favoráveis deste ano impulsionaram a produção agrícola e a recuperação das pastagens, beneficiando muitas famílias de agricultores. O fenômeno El Niño, se confirmado, pode ainda trazer precipitação acima da média, ajudando a recompor as fontes de água e a favorecer as culturas de inverno e primavera. Mesmo assim, melhores colheitas não se traduzem necessariamente em melhor segurança alimentar: com o desemprego persistente, muitas famílias que não produzem os próprios alimentos não têm condições de manter uma dieta nutritiva.
Para reverter o quadro, a FAO e o WFP apelam a um financiamento urgente para ampliar a assistência alimentar, o apoio agrícola de emergência e as ações de prevenção e tratamento da malnutrição. É preciso alargar as respostas humanitárias, agir preventivamente e investir no setor agroalimentar para criar emprego, avaliou Richard Trenchard, representante da FAO no Afeganistão. A fome e a subnutrição estão levando comunidades afegãs ao limite, e a janela de oportunidade para agir está se fechando rapidamente, alertou John Aylieff, diretor do WFP no país. Com acesso a apoio urgente, as famílias podem atravessar o inverno com dignidade; sem ele, muitas enfrentarão escolhas impossíveis, concluiu o responsável.
Fonte: ONU News, com dados da FAO, do WFP e da IPC.
Imagem: Gerada pelo site através de I.A.
































