Pátios ilegais no Japão levantam suspeitas de desmanche e exportação de carros roubados
Depósitos cercados por muros altos preocupam a população sobre o descarte irregular de resíduos, falta de fiscalização e também pelas condições de trabalho
Pátios de desmanche de veículos no Japão estão no centro de preocupações relacionadas a crimes, descarte irregular de resíduos e exportação ilegal de peças. A reportagem publicada hoje (20) no site ABEMA Times mostra como funciona esse setor, além de ouvir profissionais que apontam dificuldades para combater as atividades clandestinas.
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Como funcionam os pátios de desmanche
Segundo informações da TV Asahi, a visita ocorreu na empresa Axel, que mantém um pátio de desmanche legalizado há 19 anos na cidade de Ueda, província de Nagano. No local, cerca de 100 veículos aguardavam a retirada de peças.
Segundo Yukinori Miyazawa, representante da empresa, os componentes são vendidos no mercado japonês e, principalmente, enviados ao exterior. Entre os destinos comerciais estão Dubai e Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos.
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A exportação inclui motores, radiadores, suspensões e outras peças. Algumas partes dos veículos também são cortadas e enviadas em conjunto para facilitar a venda e o transporte.
Esse mercado atende consumidores de diferentes países. Enquanto muitos japoneses consideram a quilometragem elevada um fator para substituir um automóvel, em outros lugares é comum continuar utilizando o veículo enquanto ele funciona. Por isso, peças usadas de carros japoneses têm procura no exterior.
Falta de procedimentos aumenta os riscos
Apesar da atividade legal, a desmontagem e a exportação de veículos exigem o cumprimento de normas. Miyazawa afirmou que algumas empresas clandestinas deixam de realizar procedimentos obrigatórios para reduzir custos e aumentar os lucros.
Entre os problemas citados estão o envio de veículos sem o tratamento adequado dos airbags e a liberação irregular de gases durante a desmontagem. O descarte inadequado de pneus também representa um risco.
Segundo o empresário, o acúmulo desse material pode favorecer incêndios nos depósitos. Além disso, faíscas produzidas durante o trabalho podem provocar fogo quando encontram pneus armazenados no local.
A reportagem também abordou os ruídos durante a noite. De acordo com Miyazawa, alguns trabalhadores recebem por veículo desmontado, e não por hora. Esse sistema pode incentivar jornadas prolongadas para aumentar os ganhos.
Por que os depósitos ilegais continuam funcionando?
Um dos principais desafios está na compra de veículos de origem criminosa. Segundo Miyazawa, a concorrência no mercado de carros usados pode levar alguns comerciantes a adquirir veículos suspeitos quando enxergam uma oportunidade de lucro.
Ele relatou casos em que compradores aceitam veículos que podem ser roubados, mesmo sem terem participado diretamente do crime.
Essa situação dificulta a investigação. Para responsabilizar os envolvidos, a polícia precisa reunir provas que demonstrem a ligação entre o veículo roubado e as pessoas que o compraram ou comercializaram.
A reportagem também ouviu Khan Bashir, representante da empresa KB Trading, que atua na exportação de carros e peças usadas. Ele destacou a procura por componentes de marcas japonesas, como Toyota, Honda e Suzuki.
O depoimento reforça a importância econômica desse mercado, mas também evidencia o desafio de separar as atividades legítimas das operações clandestinas.
Com a demanda internacional por peças usadas e a busca por custos menores, a fiscalização dos pátios de desmanche continua sendo uma questão importante para combater o comércio de veículos roubados e os danos ambientais.
FONTE: ALTERNATIVA ON LINE
































