Por 130 votos, Assembleia Geral da ONU volta a pedir o fim do embargo dos EUA a Cuba
A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou nesta quarta-feira, 28 de outubro, por 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções, resolução que rejeita o embargo unilateral mantido pelos Estados Unidos contra Cuba desde 1960 e aponta a medida como origem da crise energética e do agravamento humanitário na ilha caribenha. Tema levado ao plenário em 33 ocasiões anteriores desde 1992, o bloqueio voltou a ser rejeitado com apoio menor do que no ano passado, quando 165 países votaram a favor, 7 foram contrários e 12 se abstiveram.
Segundo a ONU News (https://news.un.org/pt/story/2026/10/1854778), serviço de notícias das Nações Unidas, todos os países de língua portuguesa votaram pelo fim do embargo. Recorde de respaldo ocorreu em 2015, 2016 e 2017, com 191 votos favoráveis, durante o período de aproximação entre os dois países sob a presidência de Barack Obama. Em 2016, Estados Unidos e Israel se abstiveram; nos demais anos, votaram contra, com uma única exceção.
Cenário atual é de endurecimento: o governo de Donald Trump reforçou as sanções, medida que, na avaliação do coordenador da ONU em Cuba, Francisco Pichon, conduziu a uma crise energética e a um possível colapso humanitário. Organização Mundial da Saúde também alertou para o impacto da escassez de energia no atendimento à população. Mais de 100 mil intervenções cirúrgicas foram adiadas, conforme informaram altos responsáveis da ONU em maio. Autoridades cubanas relatam ainda atrasos nos programas de vacinação e dificuldade de doentes crônicos para obter fornecimento regular de medicamentos.
Durante o debate, na terça-feira, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, interrompeu o discurso do embaixador americano, Mike Waltz, para levantar questão de ordem; a presidente da Assembleia suspendeu brevemente a sessão, retomada depois sem novos incidentes. Waltz negou a existência do bloqueio e afirmou que a crise é responsabilidade do próprio governo cubano, argumentando que as exportações americanas e os envios de Canadá, Espanha, México, China, Rússia, União Europeia e agências da ONU mostrariam o contrário.
Texto elaborado por Cuba reafirma a igualdade soberana dos Estados e os princípios de não intervenção e não ingerência em assuntos internos, além da liberdade de comércio e navegação internacionais. Preocupação com os efeitos extraterritoriais da Lei Helms-Burton, promulgada pelos Estados Unidos em 1996, aparece no documento, que pede aos países que ainda aplicam sanções unilaterais que as revoguem.
Fonte: ONU News, 28 de outubro de 2026 (reportagem de Vicente Ribeiro).
Imagem: Gerada pelo site através de I.A.

































