Sanseito aproxima-se de partido alemão suspeito de extremismo e mantém postura contra imigração
Sohei Kamiya, que diz ser vítima de perseguição política, também quer limitar estudantes estrangeiros a 5% na Universidade de Tóquio
O líder do Sanseito, Sohei Kamiya, propôs limitar a 5% a participação de estudantes estrangeiros na Universidade de Tóquio. A declaração ocorreu durante um discurso de rua na capital japonesa na sexta-feira (30), quando o político também relatou uma nova reunião com Tino Chrupalla, copresidente do partido alemão Alternativa para a Alemanha (AfD).
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De acordo com o jornal Sankei, Kamiya afirmou que havia jantado com Chrupalla no dia anterior e disse que os dois já haviam se tornado “bons amigos”. Ao se despedirem, eles teriam trocado palavras de incentivo, com a frase: “Somos partidos que sofrem perseguição; vamos seguir firmes”, além de manifestarem a intenção de atuar como uma ponte entre Japão e Alemanha.
Relação entre Sanseito e AfD
A aproximação, no entanto, não é recente. Kamiya e Chrupalla se encontraram pela primeira vez no Japão, em agosto de 2025. Em setembro deste ano, voltaram a se reunir em Berlim e conversaram durante cerca de duas horas e meia sobre imigração, energia, diplomacia e outros temas.
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De acordo com um relatório publicado após a viagem à Europa, o próprio Sanseito informou que recebeu da AfD uma proposta para manter intercâmbios regulares. Na ocasião, Kamiya apresentou as posições do partido japonês a aproximadamente 20 parlamentares alemães.
A AfD mantém uma linha rígida contra a imigração e enfrenta resistência dos principais partidos da Alemanha. A legenda continua sob monitoramento do serviço de inteligência interna alemão como um caso suspeito de extremismo, embora uma decisão judicial de março de 2026 tenha impedido temporariamente que todo o partido recebesse a classificação de uma organização comprovadamente extremista antes da conclusão do processo principal.
A AfD passou a ser tratada pelos serviços de inteligência alemães como um caso suspeito de extremismo de direita porque dirigentes e integrantes do partido difundiram repetidamente uma concepção de povo baseada em origem étnica e ascendência — incompatível com o princípio constitucional de que todos os cidadãos alemães têm os mesmos direitos —, além de diferenciarem alemães de origem estrangeira por expressões depreciativas como “alemães de passaporte”.
Kamiya comparou essa barreira política com o que chamou de “cerco” ao Sanseito no Japão. Segundo ele, a resistência enfrentada pela AfD seria cerca de três vezes maior.
Limite de 5% para estrangeiros na Universidade de Tóquio
Durante o discurso, Kamiya também questionou a presença de estrangeiros na Universidade de Tóquio.
“Por que precisamos administrar a Universidade de Tóquio para os estrangeiros?”, declarou. Ele sugeriu que a instituição aceitasse estudantes internacionais somente até o limite de 5% do total de matriculados.
Os dados citados pelo Sankei mostram que, em 1º de maio de 2025, a universidade tinha 5.234 estudantes estrangeiros entre 29.577 alunos. Isso equivale a aproximadamente 17,7%. Além disso, a própria instituição mantém uma página com estatísticas atualizadas sobre estudantes estrangeiros. Em seus dados gerais mais recentes, referentes a 2026, a universidade informa que o número de alunos internacionais chegou a 5.383. u-tokyo.ac.jp
Apoio à Ucrânia e prioridade à população japonesa
Kamiya também questionou os recursos destinados à Ucrânia. Embora tenha reconhecido a necessidade de algum apoio ao país, que enfrenta a invasão russa, afirmou que parte da população japonesa prefere que o governo priorize o custo de vida e a reconstrução das áreas atingidas por desastres, como a Península de Noto.
“Se os cidadãos do próprio país estão enfrentando dificuldades, precisamos cuidar disso adequadamente”, declarou.
O político ainda criticou o anúncio de pacotes internacionais de assistência sem, segundo ele, uma discussão específica prévia no Parlamento. O Ministério das Relações Exteriores informa que o Japão anunciou ou executou cerca de US$ 20 bilhões em apoio humanitário, financeiro e de reconstrução à Ucrânia desde fevereiro de 2022.
Parte dos recursos, contudo, está prevista em orçamentos aprovados pelo Parlamento, como uma contribuição de aproximadamente ¥2,2 bilhões à iniciativa da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para fornecimento de equipamentos não letais.
FONTE: LATERNATIVA ON LINE


































