PLD enfrenta críticas de japoneses ao plano de integração: “Não usem nossos impostos para beneficiar estrangeiros”
Proposta do partido prevê ensino de japonês, orientação sobre regras de convivência e apoio a municípios com grande concentração de imigrantes
Uma proposta apresentada pelo Partido Liberal Democrata (PLD) ao governo japonês provocou uma onda de críticas nas redes sociais. Japoneses questionaram o uso de recursos públicos em políticas destinadas a estrangeiros, com mensagens como “não usem nossos impostos para beneficiar estrangeiros”, informou o jornal Sankei nesta quarta-feira (15).
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O documento prevê a criação de programas para ensinar o idioma japonês e as regras básicas de convivência no país, além de apoio financeiro aos municípios que concentram grande número de moradores estrangeiros.
Por outro lado, a proposta também sugere elevar as taxas cobradas dos próprios estrangeiros e ampliar a responsabilidade financeira das empresas que contratam trabalhadores de outros países. Diante da repercussão negativa, integrantes do PLD demonstraram frustração.
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Aumento da população estrangeira impulsionou a proposta
Em junho, a divisão do PLD responsável pelas políticas para estrangeiros entregou à primeira-ministra Sanae Takaichi uma série de recomendações.
Entre elas está a criação do “Programa de Aprendizagem da Língua Japonesa e da Vida Cotidiana”. A iniciativa pretende oferecer aos estrangeiros conhecimentos sobre o idioma e as regras necessárias para viver no Japão.
O documento também propõe ampliar o apoio a crianças e estudantes estrangeiros, bem como criar repasses financeiros aos municípios onde essa população está mais concentrada.
A proposta surge em meio ao crescimento do número de residentes estrangeiros. No fim de 2025, o Japão tinha 4.125.395 estrangeiros, alta de 9,5% em relação ao ano anterior. Foi a primeira vez que o total ultrapassou a marca de 4 milhões.
Segundo o texto, aumentaram os casos em que estrangeiros começam a viver e trabalhar no país sem compreender suficientemente o idioma e as regras japonesas. Como resultado, prefeituras, escolas e moradores locais passaram a enfrentar uma carga maior para lidar com essas situações.
Os desentendimentos ocorrem até mesmo em questões do cotidiano, como descarte de lixo, barulho, pagamento de impostos e contribuições sociais, além das regras da vida escolar. O PLD avalia que o acúmulo desses problemas pode aumentar a desconfiança e as divisões dentro das comunidades.
Integração seria forma de reduzir conflitos e custos
Na avaliação do partido, políticas de integração social são necessárias para reduzir, a longo prazo, os gastos administrativos e os conflitos provocados pelo aumento da população estrangeira.
Entre as medidas consideradas importantes estão o ensino do japonês e a divulgação das regras de convivência. O objetivo é facilitar a adaptação dos estrangeiros à sociedade japonesa e, ao mesmo tempo, contribuir para a estabilidade do país.
No entanto, a proposta enfrentou forte resistência nas redes sociais. Parte dos usuários afirmou que os estrangeiros deveriam pagar pelo próprio aprendizado do idioma. Outros defenderam que os impostos fossem destinados prioritariamente às crianças japonesas.
Partido diz que medidas podem reduzir gastos
O documento, porém, afirma que parte dos recursos poderia vir do aumento das taxas de visto. Também recomenda que o governo avalie mecanismos para cobrar maior responsabilidade e participação financeira das empresas que contratam trabalhadores estrangeiros.
O ex-ministro dos Assuntos Internos Yoshitaka Shindo, que lidera a divisão de políticas para estrangeiros do PLD, afirmou que ampliar o ensino do japonês é essencial para que essas pessoas possam atuar no país e sejam aceitas pelas comunidades locais.
Segundo ele, as medidas podem contribuir para a segurança e a tranquilidade da sociedade japonesa e, no fim, também reduzir os custos para o governo.
Taxas de visto devem subir significativamente
No dia 3 deste mês, a Agência de Serviços de Imigração do Japão divulgou uma proposta de decreto para aumentar de forma expressiva as taxas de renovação do status de residência, além do valor cobrado pelos pedidos de visto permanente.
Atualmente, o atendimento presencial para alteração ou renovação custa uma taxa única de ¥6 mil. Pela proposta, o valor passaria a variar entre ¥10 mil e ¥75 mil, conforme o período de permanência autorizado.
Já a taxa para solicitar a residência permanente subiria de ¥10 mil para ¥200 mil.
O governo calcula que os reajustes das taxas podem gerar uma receita anual entre ¥69 bilhões e ¥92 bilhões. Atualmente, a arrecadação com esses serviços é de apenas alguns bilhões de ienes.
No entanto, esse dinheiro não seria reservado exclusivamente para políticas destinadas a estrangeiros. A receita entraria no orçamento geral do governo, podendo ser utilizada em diferentes áreas.
Um integrante do PLD envolvido na formulação das políticas para estrangeiros afirmou que as críticas contra o uso de impostos foram maiores do que o esperado.
Diante da reação, o texto conclui que o governo e os partidos da coalizão precisam explicar de forma mais clara a necessidade das políticas de integração e a origem dos recursos. O objetivo seria reduzir a sensação de injustiça entre a população e ampliar a compreensão sobre as medidas.


























