Afeganistão: cinco anos de Talibã consolidam o apagamento feminino mais extremo do planeta
Cinco anos após o retorno do Talibã ao poder, o Afeganistão se firmou como uma “ilha de gênero” sem paralelos no mundo. Dados divulgados pela ONU Mulheres e pela Unesco revelam a dimensão desse apagamento: metade das afegãs só consegue deixar casa uma ou duas vezes por mês.
Nesta quarta-feira, a ONU Mulheres apresentou novos números sobre o impacto de meia década sob o comando das autoridades de facto, que tomaram o poder em agosto de 2021. Nesse período, foram emitidos mais de 100 decretos contra mulheres e meninas, promovendo a eliminação sistemática dos direitos femininos.
Para a Unesco, o país segue sendo a única nação do planeta a proibir formalmente o acesso de meninas e mulheres à educação além do ensino primário. Atualmente, 2,4 milhões de meninas continuam impedidas de estudar.
Esse retrocesso anula cerca de duas décadas de avanços. Enquanto em 2021 quase 1 milhão de meninas estavam matriculadas no ensino secundário, hoje essa conquista foi brutalmente interrompida. Com quase metade da população vivendo abaixo da linha da pobreza, a exclusão feminina sufoca qualquer chance de recuperação econômica nacional.
O isolamento e a falta de perspectivas também impulsionam graves impactos na saúde física e mental, além de elevar os riscos de casamentos infantis e forçados. A proibição de mulheres lecionarem para meninos, segundo a agência, aprofundou ainda mais a crise educacional.
Apesar das restrições, iniciativas comunitárias buscam manter viva a aprendizagem. Um programa da Unesco com a União Europeia, o Canadá e a Parceria Global pela Educação já beneficiou quase 70 mil alunos, dos quais 73% são mulheres, com alfabetização, capacitação profissional e apoio psicossocial.
A Unesco reafirmou seu compromisso em manter abertas todas as vias possíveis de aprendizado e condenou veementemente as medidas discriminatórias. Fica à comunidade internacional a responsabilidade de impedir que essa crise, considerada a mais grave violação de direitos humanos das mulheres no planeta, caia no esquecimento.
Fonte: dados e declarações da ONU Mulheres e da Unesco, divulgados nesta semana sobre os cinco anos do retorno do Talibã ao poder no Afeganistão, ONU NEWS
Imagem: © UNICEF/Amin Meerzad



























