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São Tomé e Príncipe apela por justiça climática na ONU e defende recursos para as futuras gerações

Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, neste sábado(i26/9), a ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades de São Tomé e Príncipe, Ilza Maria dos Santos, afirmou que a justiça climática é peça-chave para o desenvolvimento do país. Segundo a chefe da diplomacia santomense, as vulnerabilidades geográficas, econômicas, financeiras e sociais dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento são agravadas pelos efeitos das mudanças climáticas — realidade que, apesar da contribuição ínfima do arquipélago para as emissões globais, configura uma profunda injustiça.

A informação foi publicada pela ONU News, serviço de notícias da Organização das Nações Unidas.

De acordo com a ministra, os impactos climáticos já atingem as zonas costeiras, as infraestruturas, os recursos marinhos e os meios de subsistência da população. Em resposta, o país reafirmou seus compromissos no âmbito do Acordo de Paris, da contribuição nacionalmente determinada e do Plano Nacional de Adaptação Climática, condicionando sua concretização a recursos adequados, previsíveis e acessíveis.

Entre os pedidos concretos estão a aplicação do Índice de Vulnerabilidade Multidimensional como critério de acesso ao financiamento, a plena operacionalização do Fundo de Perdas e Danos e um acesso mais simples ao Fundo Verde para o Clima.

Na área energética, Ilza Maria dos Santos destacou que, em uma economia insular dependente de combustíveis importados, o custo e a confiabilidade da eletricidade afetam todos os setores. O governo persegue um Programa de Transição Energética e um Pacto Nacional de Energia, voltados a um sistema mais limpo, acessível, seguro e estável — transformação que exige investimentos e parcerias internacionais.

O oceano também ocupa posição central na estratégia nacional. A decisão da Unesco de classificar todo o território são-tomense como Reserva Mundial da Biosfera, segundo a representante, reforça a responsabilidade de proteger o patrimônio natural e abrir caminho para oportunidades na pesca, na economia azul, na investigação e no turismo de natureza. Frente às ameaças da pesca ilegal e da criminalidade transnacional, o país seguirá trabalhando com Estados da região e parceiros internacionais para reforçar a segurança marítima.

A segurança alimentar e o aumento da capacidade produtiva figuram como outra prioridade, com o objetivo de reduzir importações, ampliar a produção nacional e garantir aos agricultores melhor acesso aos mercados — de modo que uma fatia maior do valor gerado por produtos como cacau e café permaneça no país.

Todas essas medidas, enfatizou a ministra, visam preservar recursos para as futuras gerações e criar espaço para a juventude. “O futuro de São Tomé e Príncipe passa pela capacidade de gerar oportunidades para a próxima geração”, declarou, destacando ainda a diáspora santomense como parceira estratégica da nação.

No plano internacional, a diplomata manifestou preocupação com os conflitos na Ucrânia, no Sudão, no Sahel, nos Grandes Lagos, no Chifre da África e no Oriente Médio, apelando ao reforço da diplomacia, ao diálogo e à proteção dos civis. O país, afirmou, permanecerá fiel à Carta das Nações Unidas, ao direito internacional, à paz, aos direitos humanos e ao multilateralismo, buscando se afirmar como voz de diálogo e moderação e parceiro empenhado na estabilidade do Golfo da Guiné.

FONTE: ONU NEWS

IMAGEM: ONU/Loey Felipe 

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