Janela Para o JapãoNotícias

“Mortos não podem falar”: homem busca verdade após perder irmã em explosão de shopping no Japão

Família quer esclarecer por que ela e outras funcionárias voltaram à loja e permaneceram no local após o forte terremoto ocorrido em Kumamoto

O irmão de uma funcionária que morreu na explosão no Aeon Mall Kumamoto questionou a versão apresentada pela empresa responsável pela loja onde ela trabalhava. Ele afirma que ainda não existem provas objetivas que expliquem por que a irmã permaneceu no shopping após o terremoto de Kumamoto, ocorrido em 28 de julho.

 Clique aqui para seguir o canal da Alternativa no WhatsApp

A explosão no shopping, que teria ocorrido devido a um vazamento de gás causado pelo tremor, deixou sete funcionários mortos. Em entrevista à TV Kumamoto na semana passada, dois irmãos de uma das vítimas, uma mulher de cerca de 30 anos, falaram sobre a dor da perda e disseram que pretendem esclarecer o que os trabalhadores fizeram antes da tragédia.

Telefonema após o terremoto foi a última conversa

A mulher trabalhava em uma loja de roupas. Logo após o terremoto, ela telefonou para o pai e avisou que estava bem.

 Acompanhe nossos canais e não perca nenhuma novidade

“Acho que vou conseguir voltar para casa no horário de sempre”, disse ela. Essa foi a última conversa da funcionária com a família.

Segundo um dos irmãos, ela sempre procurava a família quando precisava de ajuda.

“Às vezes, tenho a sensação de que ela apenas viajou e não está aqui. Mas vejo o retrato e as cinzas dela. Talvez eu esteja tentando, mesmo sem perceber, não aceitar a realidade”, contou.

A família começou a se preocupar quando a mulher não voltou para casa nem respondeu às mensagens até por volta das 22h.

Um dos irmãos viu no noticiário que algumas pessoas haviam sido levadas ao Hospital Saiseikai e imaginou que ela pudesse estar recebendo atendimento.

“Pensei que ela não atendesse porque estava sendo atendida e fui até o hospital, mas disseram que ela não havia sido levada para lá. Depois, fui ao Aeon Mall Kumamoto, mas não me deixaram entrar”, relatou.

No dia seguinte, a família recebeu o corpo da mulher em casa.

“Minha mãe não parava de falar com ela e dizia: ‘Acorde’. Acho que repetia o que costumava dizer antes de ela sair para o trabalho: ‘Beba seu café. Acorde, vamos, está ficando tarde’”, recordou o irmão.

Família questiona versão apresentada pela empresa

A empresa responsável pela loja divulgou, em 4 de agosto, uma nota sobre o que teria ocorrido antes da explosão. Segundo o comunicado, uma funcionária voltou ao estabelecimento para buscar objetos de valor e recebeu a orientação de sair rapidamente do prédio.

A companhia também informou que havia concluído a investigação sobre o caso.

No entanto, o irmão da vítima afirmou que a explicação não esclarece por que ela permaneceu cerca de 20 minutos dentro do shopping.

“Segundo o comunicado, a orientação era para que os funcionários saíssem porque não havia mais nada a fazer. Mas minha irmã permaneceu dentro do shopping por cerca de 20 minutos. A princípio, ela deve ter voltado para buscar objetos de valor, porém não existe nenhuma prova objetiva que explique por que continuou lá. É como dizem: os mortos não podem falar”, declarou.

Celular tinha mensagens de familiares e amigos

Posteriormente, a família encontrou o celular da vítima. O aparelho tinha diversas ligações e mensagens de amigos e parentes preocupados, com perguntas como “Você está bem?” e “Aconteceu alguma coisa?”.

“Ela certamente não queria que tudo terminasse dessa forma”, disse um dos irmãos.

Ele acrescentou que a irmã ainda tinha muitos momentos felizes pela frente e planos que não pôde realizar.

“Como familiares, queremos esclarecer o que as vítimas fizeram antes da explosão. Se alguém souber de alguma coisa, queremos que conte a verdade”, afirmou.

FONTE: ALTERNATIVA ON LINE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *