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Ela não entendia “止まれ”? Morte de estrangeira gera alerta no Japão

Morte de estudante nepalesa em Osaka levanta alerta sobre placas em japonês, uso de capacete e orientação de trânsito para estrangeiros.

Uma estudante nepalesa de 22 anos morreu após um acidente de bicicleta em Osaka, e a suspeita é de que ela não tenha compreendido o significado da placa japonesa de “Pare”.

O caso, ocorrido em junho de 2025 no distrito de Ikuno, reacendeu o debate sobre segurança no trânsito para estrangeiros recém-chegados ao Japão.

Segundo a reportagem, a jovem seguia de bicicleta para a escola de japonês quando entrou em um cruzamento sem semáforo nem faixa de pedestres e foi atingida por uma van.

Ela sofreu um forte impacto na cabeça, foi levada ao hospital, mas morreu 12 dias depois. No local, havia uma placa de parada obrigatória escrita apenas em japonês: “止まれ”.

De acordo com a escola de japonês onde ela estudava, existe a possibilidade de que a aluna, que havia chegado ao Japão em abril daquele ano, ainda não conseguisse ler a palavra “tomare” (pare) nem entendesse plenamente as regras de trânsito locais.

A estudante sonhava em ingressar na universidade e, segundo colegas, era dedicada aos estudos e queria seguir na área de cuidados a idosos.

Escola e polícia reforçam ações de prevenção

Após o acidente, o diretor da Ebisu Japanese Language School, Yoshiteru Tsujimoto, passou a realizar ações frequentes de conscientização no cruzamento onde ocorreu a colisão. Ele orienta ciclistas estrangeiros em voz alta e usa placas explicativas com informações em inglês, vietnamita e japonês.

Em algumas ações, policiais da delegacia de Ikuno também participam.

A escola recebe cerca de 300 alunos de 9 países, e aproximadamente 70% deles vão às aulas de bicicleta. Segundo o diretor, muitos estudantes chegam ao Japão sem dominar o idioma e, em alguns casos, também sem conhecer regras básicas de circulação.

Ele explicou que já havia orientações sobre trânsito na época da matrícula, mas nem todos os alunos conseguiam participar, já que as datas de chegada ao Japão variavam por questões de visto.

Uma estudante nepalesa ouvida pela reportagem contou que, em sua cidade natal, não havia semáforos e que as regras de trânsito não eram amplamente difundidas.

Ela disse ainda que nunca tinha andado de bicicleta antes de vir ao Japão e que nem sequer sabia identificar o que era uma placa de trânsito. Diante disso, a escola passou a subsidiar metade do custo dos capacetes para os alunos e também reforçou os alertas em grupos de LINE.

Placas com “STOP” passam a ser ampliadas

Depois do acidente, a polícia substituiu, em agosto do ano passado, parte da sinalização no cruzamento por placas com a inscrição “止まれ STOP”, incluindo o inglês.

Esse tipo de mudança vem sendo adotado gradualmente em todo o Japão desde 2017, como parte das medidas voltadas a visitantes e residentes estrangeiros.

Na província de Osaka, cerca de 11 mil das aproximadamente 78 mil placas de parada obrigatória já foram convertidas para o modelo bilíngue. Além disso, a subprefeitura de Ikuno estuda novas iniciativas de educação no trânsito.

Para estudantes estrangeiros, a ampliação da sinalização em inglês pode ajudar, mas o caso mostra que a orientação prática continua sendo indispensável, especialmente para quem acabou de chegar ao país.

Acidentes com estrangeiros ganham peso em Osaka

Embora o número total de acidentes de trânsito esteja em queda em Osaka, o envolvimento de estrangeiros nesses casos vem aumentando.

Segundo a polícia provincial, em 2016 houve 37.920 acidentes, dos quais 1.237 envolveram estrangeiros, o equivalente a 3,3%. Já em 2025, o total caiu para 25.056 acidentes, mas os casos com estrangeiros chegaram a 1.286, o que representa 5,1%.

Em geral, estudantes internacionais e estagiários técnicos aprendem regras de trânsito por meio das escolas ou das entidades responsáveis por sua supervisão. A polícia de Osaka também realiza palestras de segurança quando solicitada por escolas e empresas.

Somente no ano passado, foram promovidas 282 ações educativas, com participação de 13.764 estrangeiros. O episódio reforça a importância de ampliar a informação em linguagem acessível para evitar novas tragédias.

FONTE: PORTAL MIE

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