Japão aumenta taxas de residência e empresas temem perder trabalhadores estrangeiros
Japão aumentará fortemente as taxas de residência em outubro, gerando preocupação entre estrangeiros e empresas dependentes de mão de obra internacional.
As taxas cobradas de estrangeiros para renovar ou alterar o status de residência no Japão terão forte aumento a partir de outubro.
Dependendo do período solicitado, o valor efetivamente pago poderá superar em mais de dez vezes a cobrança atual, despertando preocupação entre trabalhadores estrangeiros e setores que dependem dessa mão de obra.
Mais de 4 milhões de estrangeiros vivem atualmente no Japão.
Para permanecer no país, é necessário possuir um status de residência compatível com atividades como trabalho, estudo ou permanência familiar, e determinados procedimentos de renovação ou mudança exigem o pagamento de taxas.
Atualmente, o limite legal para renovação ou alteração do status é de ¥10 mil, enquanto a cobrança efetiva é de ¥6 mil. No caso do pedido de residência permanente, o valor atualmente pago é de ¥10 mil.
Renovação poderá chegar a ¥75 mil
A partir de outubro, o limite previsto em lei passará para ¥100 mil nos pedidos de renovação ou mudança de status e para ¥300 mil no caso da residência permanente.
Segundo a reportagem, o valor efetivamente cobrado dependerá do período de residência solicitado. Para um período de um ano, a taxa será de ¥33 mil. Para períodos de cinco anos ou mais, chegará a ¥75 mil. Já o pedido de residência permanente custará ¥200 mil.
O aumento causa preocupação também entre empresas que empregam grande número de estrangeiros.
Na pequena fábrica Sanei Metal Manufacturing, no bairro de Ikuno (Osaka), aproximadamente 50 dos funcionários, cerca de metade da equipe, são vietnamitas.
O presidente da empresa afirmou que os trabalhadores estrangeiros são profissionais valiosos para a companhia, mas teme que o aumento das despesas faça com que alguns decidam deixar o Japão.
Governo cita crescimento da população estrangeira
A Agência de Serviços de Imigração do Japão explicou que a revisão das taxas está relacionada ao aumento da população estrangeira e à necessidade de financiar políticas voltadas à integração dos residentes, incluindo iniciativas para aprendizado da língua japonesa e das regras da vida cotidiana.
Na década de 1980, quando os valores das taxas ficaram próximos dos níveis atuais, aproximadamente 800 mil estrangeiros viviam no Japão. Em 2025, essa população havia aumentado para cerca de 4,13 milhões de pessoas.
Existe ainda um mecanismo de redução para pessoas consideradas em situação econômica difícil. Nesses casos, a cobrança poderá ser reduzida para até ¥10 mil na renovação ou mudança de status e até ¥20 mil na solicitação de residência permanente.
A agência afirmou que a revisão é necessária para a manutenção do sistema e que os novos valores permanecem dentro do que considera uma contribuição proporcional dos residentes.
Estrangeiros dizem que aumento pesa no orçamento
Para quem já enfrenta despesas elevadas no cotidiano, entretanto, o reajuste pode representar um peso significativo.
Uma filipina de 38 anos que vive com a filha universitária no bairro de Higashinari (Osaka), trabalha em uma empresa de kaigo, área de assistência e cuidados a idosos e pessoas que necessitam de apoio.
Ela contou que o orçamento familiar já é apertado e afirmou que gostaria de continuar vivendo no Japão, mas considera difícil suportar novos aumentos de custos.
O professor visitante Toshihiro Menju, da Universidade Internacional de Kansai e especialista em políticas relacionadas a estrangeiros, avaliou que o caráter repentino e a dimensão do aumento podem provocar insegurança.
Segundo ele, alguns estrangeiros podem interpretar a medida como um sinal de que as condições para permanecer no Japão poderão se tornar ainda mais rigorosas e decidir deixar o país.
O especialista considera que a revisão poderia ter sido feita gradualmente, dando tempo para as famílias se prepararem financeiramente.
Setor de kaigo teme perda de trabalhadores
A preocupação não se limita aos próprios estrangeiros. Setores da economia japonesa com forte escassez de mão de obra temem perder trabalhadores.
Somente na área de cuidados e assistência social, mais de 100 mil estrangeiros já trabalham no Japão. Em grandes centros urbanos, alguns passaram inclusive a exercer funções de liderança nos locais de trabalho.
Masayuki Saito, diretor da Federação Nacional de Prestadores de Serviços de Cuidados, que reúne aproximadamente 6,7 mil organizações, afirmou que a dependência de trabalhadores estrangeiros deverá continuar aumentando.
Segundo ele, se o Japão deixar de ser uma opção atraente para esses profissionais, algumas empresas e unidades de atendimento podem acabar sendo obrigadas a fechar por falta de trabalhadores.
O forte aumento das taxas, portanto, poderá produzir efeitos que vão além do orçamento individual dos estrangeiros, atingindo também empresas e setores que já enfrentam dificuldades para contratar mão de obra.
FONTE:PORTAL MIE































