GeralMundo

Guterres alerta para transferência de poder a empresas e máquinas em último discurso na ONU

Em seu último discurso na Assembleia Geral, António Guterres alertou para os riscos da transferência de poder de governos para empresas e de seres humanos para máquinas. O secretário-geral da ONU declarou que o mundo se torna multipolar e precisa funcionar com base na cooperação, e não na coerção.

Segundo a fonte da notícia, a ONU News, a última década foi marcada por uma “crueldade desprezível”. Guterres ressaltou que o período registrou guerras em que civis e trabalhadores humanitários se tornaram alvos, com a fome usada como tática de combate.

Ele apontou que o poder está sendo reconfigurado de três maneiras fundamentais. Uma delas envolve o surgimento de novos centros de influência econômica, política e tecnológica entre os Estados. Outra alerta para a transferência extraordinária de poder dos governos para um pequeno grupo de corporações privadas e indivíduos. A terceira destaca a transferência gradual de poder dos seres humanos para as máquinas, com agentes de inteligência artificial agindo de forma incontrolável e armas autônomas letais se tornando realidade.

“Robôs assassinos não devem ter espaço em nosso futuro”, afirmou Guterres. Ele defendeu uma estrutura multilateral de gestão de riscos de IA, apoiada por supervisão credível e independente.

O chefe da ONU pediu às superpotências que reconheçam os limites do próprio poder. A medida, segundo ele, pode evitar tendências hegemônicas e uma “Grande Fratura”, a divisão do mundo em dois blocos rivais. Guterres destacou que a força militar por si só não gera paz, e a hegemonia econômica por si só não gera estabilidade.

Sobre a crise climática, ele pediu que poluidores paguem pelos danos que causaram. As grandes empresas de petróleo, disse, trataram a atmosfera como “um esgoto a céu aberto” e lucraram com as consequências. Guterres convocou os governos a adotarem planos nacionais de transição para abandonar os combustíveis fósseis.

Na sequência, o presidente da Assembleia Geral, Khalilur Rahman, afirmou que a razão de ser da ONU é evitar uma terceira guerra mundial. Ele reconheceu que muitas guerras não foram resolvidas, mas destacou que a organização segue atuante nos conflitos em curso.

FONTE: ONU NEWS

IMAGEM: ONU/Loey Felipe 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *