SESI- SP leva ao Interior a peça UM PASSEIO NO BOSQUE.Gratuita, a circulação estreia em Marília dia 23/10 esegue por outras seis cidades do Estado de São Paulo
Gustavo Merighi (do filme Minha Mãe é uma Peça 2) e
Beto Bellini (de Malhação e O Rei do Gado, entre outras novelas) interpretam um norte-americano jovem e idealista e um russo
veterano e cético, respectivamente. Os personagens
encontram-se secretamente num bosque próximo
a Genebra, em plena Guerra Fria, para construir
um acordo de paz. Clássico do dramaturgo
americano Lee Blessing é ganhador do Pulitzer
Machado de Assis afirmou que para manter o interesse do leitor por uma história basta colocar em determinada situação duas pessoas de caracteres opostos tentando resolver algum conflito. Em Um passeio no Bosque o dramaturgo americano Lee Blessing seguiu essa regra simples com extrema perícia e eficácia ao escrever a peça que estreou na Broadway em 1988.
Dirigida por Marcelo Lazzaratto, com tradução de Bárbara Heliodora e interpretação de Beto Bellini e Gustavo Merighi (indicados em 2019 ao Prêmio Aplauso Brasil de Teatro nas categorias de Melhor Elenco, Melhor Direção e Melhor Espetáculo), o espetáculo estreia sua circulação pelo Interior no SESI Marília nos dias 23 e 24 de outubro (av. João Ramalho, 1306 – Parque São Jorge). A turnê segue para unidades do SESI em Piracicaba (dias 30 e 31 de outubro), Araraquara (dias6 e 7 de novembro), Franca (dia 12 e 13 de novembro), Birigui (dias 20 e 21 de novembro) e Osasco (dias 4 e 5 de dezembro).
Clássico contemporâneo montado em mais de 60 países, vencedor do Pulitzer de Dramaturgia e responsável por uma das grandes atuações de Alec Guinness, premiada com o Tony, Um Passeio no Bosque é uma peça sobre diplomacia. Quase 40 anos depois, permanece atual ao discutir questões que envolvem guerra e paz, políticas armamentistas e o impacto das pesquisas nucleares.
Encontro reservado entre dois diplomatas
Blessing situou o conflito, entre apenas dois personagens, em plena Guerra Fria, um longo período em que duas posições políticas extremadas, ambas com material bélico capaz de exterminar o opositor, por muito pouco não varreu a humanidade de face da Terra.
Dois diplomatas, um da Rússia outro dos EUA, países “sede” das posições extremas do conflito (comunismo X capitalismo), se reúnem durante um ano, na Suíça, para negociar um acordo de limitação de armas nucleares. Cada qual representa, e simboliza as razões e os interesses de suas potências, radicalmente adversas.
O representante russo é mais velho, Andrey, com anos de experiência como negociador, totalmente cético quanto às possibilidades de se chegar a um acordo, e mais ainda de que, se por acaso tivessem sucesso, dele ser cumprido de fato. O mais novo, e inexperiente, é um jovem norte-americano, John, que, ao contrário, acredita que os dois têm a chance real de evitar uma guerra nuclear e estabelecer a paz mundial. Uma clara alegoria do eterno embate entre niilismo e idealismo.
Para fugir do assédio da mídia, o russo propõe que suas conversas, reservadas, se deem em um bosque, próximo ao prédio onde são realizados os encontros oficiais, em Genebra. A peça se divide em dois atos de duas cenas cada (quatro cenas no total), acompanhando as quatro estações do ano e como elas modificam a própria natureza do bosque, desde o calor e as flores do verão até a neve e os galhos secos do inverno.
A prioridade é dada à palavra. Os dois travam um brilhante e empolgante duelo verbal, que emociona, faz torcer ora por um lado ora por outro, ilude e desilude, provoca reviravoltas, confunde e esclarece, e muitas vezes também faz rir. Ao final os dois perdem e vencem o duelo. As armas nucleares proliferaram e se espalharam pelo mundo, mas a Guerra Final não aconteceu. A humanidade continua por aí. Como diz o diplomata russo no fim: “Nosso encontro foi um fracasso muito bem sucedido.”
Sobre o texto – Jogo de xadrez com palavras
A valorização da palavra rege a encenação. No trabalho com os atores, houve um cuidado extremo para a relação tão complexa dos dois personagens, representantes das duas grandes potências, pois estão discutindo armas nucleares. “É um jogo de xadrez com palavras; talvez essa seja uma boa imagem”, diz Lazzaratto, enfatizando a importância palavras ditas e não ditas — daquilo que é falado, do que não é falado e do que é deliberadamente escondido ou exposto.
Eu precisava amadurecê-los para expressar a presença de pessoas que ocupam esse nível de função, que é do mais alto escalão. O contato deles é direto com seus respectivos ex-presidentes. São figuras do mais alto nível que não aparecem publicamente, não têm visibilidade, mas que decidem muito. Por isso,
Marcelo conta que houve um trabalho minucioso sobre o comportamento, a gestualidade, o modo de andar e de se vestir dos personagens, tudo pautado no jogo dos atores. “Busquei trabalhar os humores e deixar bem clara a diferença dos temperamentos, inclusive pela diferença de idade: o russo é um diplomata mais velho, que já está há muito tempo na lida; o americano é um jovem que chega a esse nível de introdução pela primeira vez. Estabelecemos todos esses entendimentos sutis para configurar esse jogo complexo. Tudo foi voltado e feito para isso.”
Sete anos depois da primeira montagem, Marcelo avalia que a maturidade dos atores – em experiência de vida e em horas de palco – deu novo gás ao espetáculo. “Os personagens têm hoje muito mais camadas por conta desse tempo de decantação. A peça, que já era muito substanciosa, agora será ainda mais.”
Sobre a montagem
No cenário, apenas um banco de praça/parque e mais nada. “Como tudo foi apoiado no jogo dos atores a partir da palavra, achei por bem neutralizar o entorno e selecionar apenas elementos muito específicos para evitar qualquer desvio de atenção”, informa o diretor.
Lazzaratto delimitou o espaço de ação com um tapete em tons terrosos, quase como se fosse um tabuleiro — sem reproduzir um literalmente, mas demarcando uma área geográfica. “Além do banco, haverá um vaso com uma planta ao fundo, à direita, para representar o bosque (um gesto minimalista), e à frente, um jardim japonês dividido entre yin e yang, marcando o preto no branco e a mescla de ambos.”
Trata-se de um jardim simbólico que representa a diferença e a integração. “É o que faz um corpo diplomático: cada um luta pela sua própria causa, mas é preciso chegar a uma interação para evitar uma guerra nuclear, que é o tema da peça.” São objetos e elementos simbólicos, minimalistas e sem apoio realista, para que a palavra e o jogo dos atores fiquem em primeiro plano.
Luz, figurino e trilha
Marcelo conta que a iluminação acompanha a ideia do bosque. Um efeito de luz sugere folhagens de vez em quando — não o tempo todo — e transmite a atmosfera de um fim de tarde, de um dia claro se transformando em lusco-fusco da noite. “O ângulo da luz marca essa passagem do tempo, pois cada quadro se passa em um horário e em um mês diferente. Trabalharei a luz com foco na ideia das estações — uma luz mais de verão ou mais invernal —, já que a cada cena eles retornam em uma época distinta.”
Os figurinos são bem realistas: ternos compridos que dialogam com o próprio texto, no qual os personagens reparam e comentam sobre as roupas, medindo se o sapato é italiano ou francês, ou se o terno é de corte italiano. “Há uma brincadeira em torno do bem-vestir. Tudo se passa nos Alpes Suíços, o que traz uma magnanimidade ao fundo: uma discussão complexa da humanidade realizada em um local teoricamente neutro, mas muito elegante e chique.”
A trilha sonora pontua o espetáculo com uma música da Patti Smith, ao final de cada quadro. Marcelo escolheu apenas essa faixa, que se repete ao longo da encenação. “Usar a voz, o canto, o ritmo e a potência da Patti Smith como costura entre as cenas transmite um recado interessante sobre o que gostaríamos de ver no mundo: uma tentativa de preservação das diferenças sem gestos autoritários, manipulação ou controle. Enquanto aqueles homens discutem questões geopolíticas, ela canta essa outra forma de existir”, conclui , ressaltando ser “uma encenação simples e direta. “Reduzi tudo ao essencial para valorizar o jogo de palavras.
Sobre os Atores
Além de desenvolver suas carreiras no Teatro, os dois atores trazem na bagagem vasta experiência no audiovisual. Gustavo Merighi atuou em Minha Mãe é uma Peça 2, Turma da Mônica: Lições, Sessão de Terapia, Toda Forma de Amor e A Lei do Amor. Na TV Globo, Beto Bellini participou das novelas Rei do Gado, Presença de Anita, O Clone, Esperança, Mulheres Apaixonadas, A Muralha, Pecado Capital, Anjo Mau Caminho das Índias, Força Tarefa, Torre de Babel, Suave Veneno, Malhação, Você Decide.
FICHA TÉCNICA
Dramaturgo: Lee Blessing
Tradução: Barbara Heliodora
Direção e Iluminação: Marcelo Lazzaratto
Elenco: Beto Bellini e Gustavo Merighi
Direção de Produção: Erika Barbosa
Produção executiva: Thomas Marcondes
Figurino: Ricardo Pettine
Operador de Luz e Som: Alessandro Cruz
Visagismo: Susi Merighi
Assessoria de Imprensa: Arte Plural – Maria Fernanda e Mauricio Barreira
Fotos: Kim Leekyung
Serviço
SESI MARÍLIA
Dias 23 e 24 de Outubro. Sexta e Sábado às 20h
Entrada: Gratuita (reservas pelo site do Ssi) Endereço: Av. João Ramalho, 1306 – Parque São Jorge, Marília – SP, 17520-240
Agente de comunicação – Marinês Oliveira
marines.oliveira@sesisp.org.br – 14-9.8225-2203
































