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Cerco a Taiz deixa 800 mil pessoas sem ajuda humanitária e agrava crise no Iêmen

Cercada por forças Houthis, Taiz vive uma emergência humanitária em rápida deterioração. Na sexta-feira (23), agências das Nações Unidas alertaram para o agravamento da situação na cidade, onde os rebeldes combatem tropas do governo ao longo da costa oeste do Iêmen.

Há 20 dias o centro urbano permanece isolado, com combates que impedem a entrada de ajuda humanitária e o deslocamento de civis. Conforme Jens Laerke, porta-voz do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), as vias de acesso foram cortadas, o que dificulta a chegada de combustível, alimentos e suprimentos.

Mais de 800 mil pessoas seguem sem acesso a auxílio humanitário na cidade, segundo o Programa Mundial de Alimentos (WFP). Funcionários da agência tentam restabelecer o acesso enquanto prestam assistência à população afetada em outras partes do país, informou Azfar Deen, responsável regional de comunicações.

Água tornou-se bem escasso: com as estradas bloqueadas e a falta crítica de óleo diesel para os caminhões-pipa, dos quais depende a maioria dos moradores, a disponibilidade caiu pela metade e o custo do transporte praticamente triplicou.

Em nota, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) manifestou preocupação com a fome generalizada no país. Foram identificados, entre mais de 168 mil crianças avaliadas em Taiz, 52 mil casos de desnutrição aguda e 11,5 mil de desnutrição aguda grave.

Os suprimentos alocados pela agência em toda a província são suficientes para manter serviços essenciais por aproximadamente três meses, afirmou o porta-voz Ricardo Pires. Restrições de acesso e interrupções nas rotas de abastecimento, no entanto, podem dificultar o transporte de mantimentos pelos parceiros e a chegada segura das famílias aos locais de tratamento.

Desde agosto, pelo menos 1.574 pessoas morreram e outras 6.939 ficaram feridas em todo o país, depois que a escalada do conflito em setembro entre as forças Houthis e o governo sediado em Áden rompeu a trégua firmada em 2022.

Cerca de 258.679 pessoas foram registradas como deslocadas pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) entre 7 de junho e 19 de outubro de 2026, a maioria proveniente das províncias de Taiz e Lahj. Já 3.836 cidadãos iemenitas chegaram ao Djibuti até 17 de outubro, fugindo do agravamento da situação de segurança.

Segundo as agências, muitas famílias passam por deslocamentos sucessivos e buscam refúgio em centros de acolhimento e em comunidades locais já sobrecarregadas.

Todas as informações foram divulgadas por Ocha, WFP, Unicef e OIM, agências das Nações Unidas.

Fonte: ONU NEWS

Imagem : Gerada pelo site através de I.A.

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