No Mundial de Singapura, Gabrielzinho defende três ouros e sonha com marca eterna na natação
O mineiro e pentacampeão paralímpico Gabriel Araújo, 23, afirmou em coletiva de imprensa neste sábado, 20, véspera da abertura do Mundial de Natação Paralímpica de Singapura, querer ser a inspiração para novos nadadores em todo o mundo.
“A minha maior realização vai ser, quando eu não estiver mais nadando, daqui a 10, 15 anos, assistir várias histórias iguais à minha. Se hoje temos um Gabrielzinho, meu sonho é que com o passar do tempo sejam 10, 20, 30 Gabrielzinhos espalhados pelo mundo todo. Porque com isso quem ganha não é o Brasil, é o esporte paralímpico como um todo”, afirmou o atleta da classe S2 (comprometimento físico-motor).
A fala de Gabrielzinho veio em resposta à pergunta sobre a importância de ele ter assistido aos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, quando praticava natação há apenas um ano. Ali ele assistiu de perto o atleta que era sua inspiração, o paulista Daniel Dias, maior medalhista paralímpico da história do Brasil. “Eu tive oportunidade de assistir a minha maior referência como atleta. Quando vi à prova dele falei que um dia eu estaria nos Jogos Paralímpicos”, lembrou o atleta, que tem em sua trajetória cinco medalhas de ouro e uma de prata conquistadas em Tóquio 2020 e Paris 2024.
Gabrielzinho, que tem focomelia, condição que levou a má-formação de braços e pernas, está em Singapura em busca do tricampeonato mundial em três provas, os 50m costas, os 100m costas e os 200m livre, todos para a classe S2.
“Quero mostrar minha melhor performance, que é meu principal objetivo, e também defender meus três ouros e manter os 100% de aproveitamento nas minhas provas principais. Quero mostrar para mim mesmo que estou no caminho certo e, neste caminho, realizar meu sonho que é entrar na história do esporte paralímpico”, afirmou.
Segundo o nadador, as medalhas, se vierem, serão resultado de muito trabalho. “Realizei muitos trabalhos com muito esforço, mostrando que os atletas com classe baixa [com comprometimentos físicos severos] também podem ir longe, têm disciplina e seguem uma rotina de treino como todos. O resultado mostra apenas o fruto do meu trabalho junto com minha equipe. Meu objetivo é performar com qualidade e a medalha de ouro é a recompensa por tudo o que foi feito”, disse.
Gabriel ainda afirmou que a música faz parte de sua rotina e ajuda a diminuir a tensão durante as competições. Ele disse ainda não ter decidido qual será sua dança caso chegue ao pódio, mas prometeu que irá fazer a coreografia que sentir no coração.
“Desse meu jeito alegre consigo me conectar melhor com a água e transmitir a alegria de todo o povo brasileiro, que é muito reconhecido pela música e pela dança. Quero levar o máximo de alegria para quem me assiste e me acompanha e que de alguma forma pode me ter como inspiração”, afirmou.
Gabrielzinho vai nadar os 100m costas na terça-feira, 23. No dia seguinte, quarta-feira, 24, será a vez dos 200m livre. Já na sexta-feira, 26, o mineiro defende seu título nos 50m costas.
Participaram da coletiva a nadadora britânica Alice Tai e o nadador singapurense Toh Wei Soong, a presidente do Conselho de Esportes para Pessoas com Deficiência de Singapura, Teo-Koh Sock Miang, President, e Craig Nicholson, Head da World Para Swimming, braço do IPC (Comitê Paralímpico Internacional na sigla em inglês) correspondente à federação internacional da modalidade.
Brasil em Singapura
A delegação do Brasil que disputará o Mundial de Singapura de 21 a 27 de setembro conta com 29 nadadores, 16 homens e 13 mulheres, oriundos de sete estados (MG, PA, PE, PR, RJ, SC e SP). São Paulo, com dez convocados, é o estado com o maior número de nadadores.
O grupo é formado pelos 24 nadadores que atingiram índices estipulados pelo CPB em três oportunidades: o Circuito Paralímpico – Fase Seletiva e a Primeira Etapa Nacional do Circuito Paralímpico Loterias Caixa, em São Paulo, no Centro de Treinamento Paralímpico; e o World Series de Guadalajara, no México.
Outros cinco nadadores foram convocados por terem o Índice Mínimo de Qualificação (MQS, nasigla em inglês) do Mundial e também apresentarem as melhores marcas para formar equipes de revezamentos.
No último Mundial da modalidade, Manchester 2023, o país subiu 46 vezes ao pódio, conquistando 16 medalhas de ouro, 11 de prata e 19 de bronze. Os pódios deixaram o Brasil na quarta colocação no quadro de medalhas, atrás de Itália, Ucrânia e China, superando a anfitriã Grã-Bretanha em uma disputa acirrada até a última prova da competição.
A melhor campanha do Brasil na história dos Mundiais de natação paralímpica foi registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, em 2022. O país encerrou a disputa com 53 medalhas, 19 de ouro, 10 de prata e 24 de bronze. Com isso, ficou na terceira colocação do quadro de medalhas do evento, somente atrás de Estados Unidos e Itália.
Patrocínio
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais da natação.
Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível
O atleta Gabriel Araújo é integrante do Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível, programa de patrocínio individual da Loterias Caixa e da Caixa que beneficia 148 atletas.






















