Primeira mulher a liderar o partido governista é ultraconservadora em um grupo dominado por homens
Sanae Takaichi, admiradora de Margaret Thatcher e seguidora da linha de Shinzo Abe, assume o comando do Partido Liberal Democrata e pode se tornar a primeira ministra
Em um país que ocupa uma posição baixa nos rankings internacionais de igualdade de gênero, a nova presidente do Partido Liberal Democrata (PLD), que governa o Japão há décadas, é uma figura emblemática do conservadorismo japonês. Sanae Takaichi, de 64 anos, tornou-se a primeira mulher a liderar o partido predominantemente masculino que domina a política nacional desde o pós-guerra e é agora a provável próxima primeira ministra do país.
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Admiradora da ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher, Takaichi é uma defensora da visão nacionalista e conservadora do ex premiê Shinzo Abe. Durante a campanha, ela evitou tratar de questões de gênero, mas, ao posar para a tradicional foto na cadeira da presidência do partido, declarou:
“Agora que o PLD tem sua primeira presidente mulher, seu cenário mudará um pouco.”
Eleita pela primeira vez para o Parlamento em 1993, na cidade natal de Nara, Takaichi acumulou cargos importantes no partido e no governo, entre eles os de ministra da Segurança Econômica, dos Assuntos Internos e da Igualdade de Gênero. Apesar do último título, manteve posições alinhadas ao conservadorismo do PLD e evitou confrontar as estruturas masculinas que dominam a legenda.
Parlamentares mulheres no partido costumam ser afastadas dos cargos assim que defendem temas como diversidade e igualdade. Takaichi, ao contrário, manteve fidelidade à linha tradicional do partido.
Durante o discurso de vitória, pediu um esforço total para reconstruir o PLD e recuperar a confiança pública.
“Quero que todos trabalhem como um cavalo”, afirmou. “Abandonarei a expressão ‘equilíbrio entre vida pessoal e profissional’. Vou trabalhar, trabalhar, trabalhar e trabalhar.”
A frase “equilíbrio entre vida pessoal e profissional” rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais, gerando reações mistas, de apoio ao entusiasmo da nova líder e críticas à exaustiva ética de trabalho que ela representa.
Atualmente, as mulheres ocupam apenas cerca de 15% das cadeiras da Câmara Baixa do Parlamento japonês, e apenas duas das 47 províncias são governadas por mulheres.
Fora da política, Takaichi já foi baterista de uma banda de heavy metal e motociclista. No campo político, defende forças armadas mais robustas, aumento dos gastos públicos para o crescimento econômico, avanço da fusão nuclear, reforço da segurança cibernética e políticas mais rígidas de imigração, de acordo com o The Mainichi.
Ela prometeu elevar significativamente o número de ministras em seu governo. Mesmo assim, especialistas avaliam que sua liderança pode, paradoxalmente, dificultar o avanço das mulheres, já que dependerá da lealdade a poderosos líderes masculinos do partido.
Takaichi apoia políticas que reforçam papéis tradicionais de gênero, como o financiamento público para tratamentos de fertilidade, alinhado à ideia do PLD de que as mulheres devem “cumprir seus papéis de boas mães e esposas”. Ainda assim, ela relatou recentemente dificuldades pessoais com os sintomas da menopausa e defendeu a educação dos homens sobre saúde feminina, para melhorar o ambiente escolar e profissional das mulheres.
Entre suas posições mais polêmicas estão a defesa da sucessão exclusivamente masculina da família imperial, a oposição ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e a rejeição à revisão da lei civil do século XIX que permitiria sobrenomes diferentes para casais, que reduziria a pressão sobre as mulheres para adotarem o nome do marido.
Takaichi é conhecida por visitar regularmente o Santuário Yasukuni, considerado pelos vizinhos asiáticos um símbolo do militarismo do país. Observadores acreditam que essa postura pode tensionar as relações diplomáticas com a China e a Coreia do Sul.
Sua retórica nacionalista e postura firme também colocam em dúvida a estabilidade da aliança entre o PLD e o Komeito, partido moderado de base budista. Embora Takaichi afirme que a coalizão é essencial, ela se mostra aberta a colaborações com grupos de extrema direita.
FONTE: ALTERNATIVA ON LINE






















